
Ludovica Duarte
luduarte@focuspoder.com.br
Um dos convidados especais do 3º Seminário Água Innovation, Hitendra Patel, diretor administrativo do IXL Center e presidente do Programa de Inovação e Crescimento da Hult International Business School, ministrará palestra logo mais, às 16h30, apresentando cases de como as empresas podem e devem utilizar a sustentabilidade como alavanca do crescimento de negócios.
Por intermédio de seu sócio e tradutor Manuel Cezário, Patel falou ao Focus sobre as perspectivas de futuro para empresas brasileiras que adotam tendências sustentáveis. Para Patel, ao longo do tempo, após passar por muitos “vales de dificuldades”, surgiu uma onda de empreendedores diferenciados, com um nível de resiliência muito grande comparado aos outros países. Ele avalia que o Brasil precisa estar alinhado aos EUA e à Ásia, porque dentro da perspectiva de futuro, dos cinco países que irão ter uma importância principal na área da inovação no futuro, quatro estão na Ásia: China, Japão, Índia e Indonésia. A única exceção é o EUA.
Do ponto de vista da inovação e educação, Patel acredita que os brasileiros são bastante conectados. “Eles não ficam atrás dos outros países ou do contexto mundial no sentindo de estar buscando o que vem a seguir ou o que será a próxima grande onda, ou ainda, o que eles poderiam fazer diferente do que tem hoje no mundo”, afirma. Para Hitendra, “os mais bem-sucedidos neste contexto são aqueles que são capazes de conectar suas networkings para poder trazer novas ideias ou trazer talentos e exportar. Ou seja, fazer a conexão nas duas direções”.
Para exemplificar, Patel aponta empresas com a Embraer, a Natura e a Braskem, que estão presentes em um contexto global. “O Brasil tem uma sorte muito grande de ter uma empresa de referência como a Natura, que é uma referência global, no conceito de economia circular”, explica.
Patel defende que todos os CEOs deveriam estar preocupados com a economia circular. Como e o que eles produzem que não vai ser utilizado pela sociedade ou por sua cadeia de valor e como eles fazer uso do substrato de sua produção. “Se você tem lixo, e se está jogando lixo fora, você não está jogando lixo fora. Você está jogando dinheiro. A maioria das empresas pensa que o valor que geram pode ser medido em dólares ou em reais. Mas, na verdade, o grande valor que uma empresa tem é a sua contribuição. O que ela deixa para seus empregados, para a sociedade e, consequentemente, para a própria empresa, sob forma de lucro. Existem duas características muito fortes que quando a empresa é sustentável, o valor da marca dela sobe e a sociedade a percebe como uma empresa de maior valor. E também quando uma empresa é sustentável, toda sua cadeia de valor se transforma, a longo prazo, porque ela se autorregula”.
Entre as tendências que as empresas devem buscar para contribuírem para um mundo mais sustentável, Patel aponta aquelas que estão ligadas ao menor uso do petróleo e seus derivados. Também chama atenção para as tendências que são demandadas pelos consumidores como, por exemplo, o menor uso de plásticos. “As tendências, na verdade, irão ser definidas em último plano pelo CEO da empresa que vai, ao final do processo, decidir reutilizar ou não gerar desperdício ou lixo para seu ecossistema ou sua cadeia de valor. E mesmo que estas empresas não tenham uma aderência total à economia circular, outros empreendedores irão chegar e entender as oportunidades e irão saber fazer uso deste desperdício, deste substrato da produção, pra que eles aproveitem em novas linhas ou novos negócios”.
Como exemplo, Hitendra Patel diz que muitas empresas como o Walmart estão cada vez mais pressionando seus fornecedores a reduzir toda parte de packding (empacotamento), com o intuito de reduzir o desperdício em no mínimo 20%. A consequência é a redução não só na quantidade do produto, mas na quantidade de plástico que é utilizado na embalagem, o volume de gás carbônico que é gerado no meio ambiente, e a diminuição de todo o transporte que vai ser utilizado para colocar um produto na gôndola.
Patel lembra que muitas companhias estão colocando o “desperdício zero” como meta, e com isso, tentando entender o que podem fazer com sua produção, como transformar e a quem vender. Há uma intenção de reduzir o ciclo de toda a produção, em 10 vezes mais do que se consome, para reduzir o impacto no meio ambiente. “Ao reduzir, você está reduzindo eletricidade, você está reduzindo toda a capacidade de produção da planta e, naturalmente, tudo o que você tem de envolvimento na conservação da indústria. Nós podemos não mudar nosso hábito, mas nós vamos sofrer uma grande pressão dos nossos filhos pra que a gente compre de empresas que desperdiçam menos, pra que a gente tome um banho mais rápido e desperdice menos água, pra que a gente tenha fornecedores que estejam preocupados com a sustentabilidade do planeta”, conclui.







