O “aprendizado de máquina” na nova advocacia, por Frederico Cortez

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Frederico Cortez é advogado, sócio do escritório Cortez&Gonçalves Advogados Associados. Especialista em direito empresarial. Assessor jurídico na Secretaria de Defesa Social no município de Caucaia-Ce. Consultor e editor de conteúdo jurídico do portal Focus.jor. Co-fundador do Instituto Cearense de Proteção de Dados- ICPD-Protec Data. Escreve semanalmente no Focus.jor. Email: advocacia@cortezegoncalves.adv.br / Instagram: @cortezegoncalveadvs

Por Frederico Cortez
cortez@focuspoder.com.br

Dentre muitas comemorações datada para o mês de agosto, destaca-se o dia 11 que homenageia a advocacia. Neste ano em especial, os advogados e advogadas do País adentraram de vez num novo mundo. Os efeitos da pandemia do vírus Sars-CoV-2 encurtou um futuro próximo, o trazendo para o presente. A tecnologia revelou-se de vez, dando o seu recado definitivo para todos os operadores do direito.

O primeiro quartil do século XXI está próximo e até agora muito se comenta sobre o uso da IA (inteligência artificial) na justiça brasileira. Em passo seguinte, é chegada a hora de enfatizarmos o “aprendizado de máquina”, ou também conhecido como aprendizado automático, aprendizagem automática, aprendizagem de máquina ou machine learning.

O “aprendizado de máquina” é resultado da evolução do reconhecimento de padrões, como também uma nova vertente da teoria do aprendizado computacional em inteligência artificial.  Ou seja, estamos vivenciando um novo patamar dentro da IA. O seu conceito se resume ao sistema computacional programado para realizar uma determinada tarefa, aprendendo através de uma outra experiência na finalidade de maximizar uma performance alheia.

No campo do direito, isso já é possível em julgamentos com um padrão já vislumbrado em decisões anteriores. Desta forma, o algoritmo “aprende” a construir uma sentença com base em dados disponibilizados em processos diversos, dentro da mesma natureza de ação judicial, com a aplicabilidade imediata.

Importante destacar, que a máquina não goza de uma plena liberdade na aplicação de suas atribuições. Ela está condicionada à inteligência humana que a programou (leia-se: que deu o treinamento). Assim, uma decisão judicial oriunda de uma “aprendizagem de máquina” não está fundamentada na “vontade” do sistema computacional. Mas sim, nos padrões que foram apresentados. Traduzindo, é o que até então, nós advogados e advogadas, presenciamos nas sentenças consubstanciadas nas jurisprudências dominantes (padrões). Um dado importante é que neste estado de pandemia, o judiciário brasileiro vem batendo recordes com a exaração de despachos, decisões interlocutórias e sentenças de mérito. Claro que não há um estado de perfeição absoluto e que ajustes são e serão sempre necessários.

A nova advocacia, abreviada pelos efeitos da hecatombe do novo coronavírus, requer do profissional de direito um mínimo conhecimento técnico inerente à tecnologia da informação. Aqui faço uma previsão real, quanto ao momento pós-pandemia. Aquelas imagens de fóruns abarrotados de pessoas, na espera de atendimento em balcão das secretarias judiciais, ou advogados sentados aguardando o pregão para as audiências, serão momentos raros de presenciarmos novamente.

Demonizar a tecnologia, na busca de um impedimento para a sua inserção no Poder Judiciário, bem como em outras áreas, é o mesmo que ir na contramão do desenvolvimento da raça humana. Como já dito e repiso, quem manda na máquina é o homem, ela é apenas uma ferramenta de melhoramento de resultados.

Leia Mais
+ A advocacia e a Lei Geral de Proteção de Dados, por Eugênio Vasques
Ubi societas, ibi jus digital. Por André Parente

Advogar! Por Raquel Machado
O sentinela do seu direito, por Fernando Férrer

A importância da advocacia na construção legislativa, por Uinie Caminha
O que esperar da advocacia atual. Por Marília M. Peixoto do Amaral
+ A “adaptabilidade” do advogado, por Andrei Aguiar

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Ceará consolida elite da educação brasileira no Ideb; Brasil segue sem atingir metas do ensino médio

TRE rejeita tese do relator e mantém Federação União Progressista na chapa de Ciro Gomes

Quaest abre vantagem para Ciro, mas a campanha ainda reserva muitas variáveis

Emandas bilionárias e outros privilégios deve baixar índice de renovação de mandatos federais

Selo do TSE divide institutos; AtlasIntel apoia iniciativa e acende debate sobre precisão das pesquisas

Aval de Lula consolida Cid Gomes como candidato ao Senado e aproxima definição da chapa governista no Ceará

O Duplo Twist Carpado de Mauro Filho

Obtuário: Cid Carvalho, uma voz que atravessou gerações da comunicação e da política cearense

A chapa dos sonhos do governismo no Ceará

Jogando na defesa e no ataque, Romeu Aldigueri se torna referência no enfrentamento com a oposição

Ceará como um dos elos da nova cadeia automotiva mundial e a bad trip da nossa política

O silêncio de Cid Gomes não é dúvida. É método.

MAIS LIDAS DO DIA

Dívida social; Por Angela Barros Leal

Vendas de automóveis crescem 25,7% no Ceará em julho, aponta Fenabrave

Rio de Janeiro - Edifício sede da Petrobras no Centro do Rio. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Petrobras anuncia R$ 17,4 bilhões em dividendos após recorde de produção

Famílias perderam R$ 62,5 bilhões com apostas em bets

STF autoriza abatimento de medidas cautelares na pena de condenada pelo 8 de Janeiro

Projeto amplia direitos do Estatuto da Pessoa Idosa para pessoas com deficiência a partir dos 50 anos

CEO da VSM vai à AJE Talks e debate reputação como ativo estratégico para empresas

Ceará terá representante no júri do Festival do Clube

Mudança de rota de Romeu Aldigueri fortalece plano de Cid para PSB manter comando da Alece