
Foi de altíssimo risco a aposta do PDT em não trabalhar bem mais cedo o nome para a disputa pela Prefeitura de Fortaleza. Não seria um problema se a campanha fosse pela reeleição de Roberto Cláudio ou se o indicado da sigla fosse um nome com bom recall na mente dos eleitores. Atentem: são apenas seis semanas de campanha até o fim do primeiro turno. Entre o 1º e o 2º, é quase um piscar de olhos.
A pandemia e o adiamento do processo eleitoral tornaram a campanha uma corrida de modalidade rápida. No atletismo, seria como uma corrida de 400 metros (com barreiras). Para esse tipo de prova, são determinantes os músculos de fibras do tipo II, que exigem o esforço explosivo e curto do atleta, com baixíssimo consumo de oxigênio.
Para um candidato cujos músculos são, digamos, emprestados, o melhor são as corridas de fundo, como as de cinco mil metros. Nessa modalidade, o que mais importa é a resistência aeróbica e não a velocidade. Estratégia, resistência e oxigênio decidem a prova sempre na arrancada da última volta.
Feita a comparação, vamos ao caso de Fortaleza. O presidente da Assembleia, José Sarto, terá como primeira tarefa tornar seu nome conhecido. Já seus principais concorrentes, são bem presentes na mentes dos eleitores: Capitão, Luizianne, Heitor Férrer e Roseno. Importante lembrar que um alto índice de conhecimento tem vantagens e desvantagens. Afinal, os velhos conhecidos também costumam ser muito rejeitados.
É claro que a campanha de tiro curto e as circunstâncias do momento impõem uma estratégia bem diferente das usadas em disputas anteriores. Redes sociais jamais tiveram tanto peso quanto terá nesta eleição. Elas meio que igualam as condições dos principais candidatos. Qualquer um com uma boa equipe de inteligência, um dinheirinho disponível e uma militância aguerrida, pode fazer uma boa confusão com o uso certeiro das redes sociais.
Já o rádio e TV têm importância cada vez menor. Esse é um problema para o candidato que é pouco conhecido, mesmo tendo a maior fatia do horário eleitoral. A audiência das TVs abertas vem caindo significativamente. O smartphone é o companheiro dos telespectadores até no intervalo da novela.
Noutra área do espectro político, o peso das chapas para vereador se tornou mais relevante. São estes os personagens que estão colados ao cotidiano das pessoas em bairros e comunidades. Nesse ponto, aparentemente, Sarto salta à frente. Tem uma chapa bem mais forte que os outros e a máquina administrativa como suporte das ações.
São apenas algumas questões que envolvem o todo, que é muito mais complexo. Atentem que, nunca antes na história do Ceará um grupo político foi tão eficiente em ganhar eleições como os Ferreira Gomes. A diferença agora são as variáveis pouco conhecidas ou até desconhecidas, como o tiro curto da campanha, o peso maior das redes na internet e um momento marcado pelas candidaturas e eleitores de máscaras no rosto.







