
Equipe Focus
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Convidado do Focus Colloquium, desta segunda-feira, 21, o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes falou da entrada do ex-presidente Lula na disputa eleitoral, “Lula pós-prisão, tratando alianças com partidos, numa repetição de 2018”, falou sobre a criação de uma “terceira via” alternativa ao presidente Bolsonaro e Lula, e de seus planos de governo.
Cenário político-eleitoral
Sobre a mudança do cenário político-eleitoral após Lula entrar na disputa pela Presidência em 2022, Ciro disse que a decisão do STF que tornou o petista elegível antecipou a corrida eleitoral em um ano e meio. As pesquisas de intenção de voto, que segundo Ciro, deveriam ocorrer seis meses antes da disputa, já começaram a ser divulgadas periodicamente.
“Está acontecendo uma antecipação absolutamente artificial das eleições, provocada pelo tempo do judiciário brasileiro. Depois de 30 recursos apreciados, cinco anos depois, o STF resolve que o (juiz Sérgio) Moro não era o juiz correto para julgar o Lula. Agora o Lula diz que foi absolvido, mas não foi. Mas (o processo) vai começar tudo de novo”, disse Ciro. “Quando Lula for chamado a depor, vai ser o recomeço”.
Para Ciro, a entrada do petista acabou favorecendo Bolsonaro, que volta a ser visto como uma opção para evitar a volta do PT ao poder, e fortalece a polarização da disputa. “O Bolsonaro vinha derretendo. Quando o Lula é devolvido ao processo eleitoral, antecipa o processo eleitoral”, disse. “E o PT tem esse valor intrínseco de ser o anti-Bolsonaro. E esse eleitor identifica o Lula com mais viabilidade de derrotar o Bolsonaro”.
Lula
Sobre a força do candidato Lula, Ciro acredita que o petista tem um capital eleitoral baseado num eleitorado que lembra da “bonança” econômica de seus mandatos e por ser visto como “o mais viável candidato para derrotar Bolsonaro”. Por outro lado, Ciro diz que pesquisas internas apontam que Lula é considerado de forma “quase unânime” como um corrupto. “Lula é uma personalidade exuberante. Tem carisma”.
Para o ex-governador do Ceará, Bolsonaro nasce do fracasso do modelo lulopetista na economia. “Modelo de poder que vem do Fernando Henrique e é replicada de forma mal cheirosa pelo PT, agravado pela corrupção. O Bolsonaro nasce por causa disso. Uma negativa do eleitorado brasileiro de 6 mandatos que fracassou do ponto de vista econômico e moral”.
“Em 2018, Lula mentiu pro povo brasileiro. Colocou o (Fernando) Haddad, um cara que tinha perdido a reeleição para prefeito de São Paulo. Lula botou o Haddad para perder, para o Brasil entrar em crise e ele voltar”, disse.
Terceira via
Sobre o surgimento de um candidato que represente uma alternativa a Lula e Bolsonaro, a chamada “terceira via”, Ciro diz que ele próprio é o nome mais viável para essa “massa ainda órfã”. “Quem tem a melhor partida de ‘nem um, nem outro’ sou eu”, disse. “O (Luciano) Huck não é mais candidato, o (João) Amoêdo não é mais candidato. (Sérgio) Moro também não. O (João) Dória tem muita dificuldade. Eu me coloco como o mais viável para esse tipo de eleitorado”.
Quanto uma possível entrada do senador Tasso Jereissati na disputa presidencial, Ciro Gomes diz que “Tasso é o cara” e que acha possível uma candidatura do PSDB com o senador, mas diz que ainda é cedo para falar dessa possibilidade. Sobre o governador de São Paulo, João Doria, Ciro diz que dois terços do PSDB não o querem como candidato. “Doria traiu o Alckmin de uma forma muito constrangedora. Alckmin está muito mal em São Paulo. Doria virou ‘Bolsodoria’, tudo por marketing, por ambições eleitorais”.
Estratégia de campanha
Assessorado pelo publicitário João Santana, que no comando da campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2016 acusou a candidata Marina Silva de querer tirar comida do prato dos brasileiros, Ciro disse que jamais fará isso. “Na campanha nacional eu vou propor um projeto. Estou propondo aumentar o imposto das grandes heranças. Vou propor acabar com 30% das renúncias fiscais. E vou apresentar um projeto nacional de desenvolvimento”.
Na linha de ataque, Ciro disse que irá tentar dizer que “quem produziu o Bolsonaro foi a contradição do Lula ao impor a Dilma, que destruiu a economia do Brasil e tornou a corrupção um eixo central do modelo de poder que ele teve”. Ciro disse ainda que, se eleito, irá fundar o que chamou de “democracia do século 21”. “Vou colocar o povo para votar, em plebiscitos e referendos”, disse. “O tempo crítico para fazer reformas são os seis primeiros meses, porque há uma tendência de declínio do conteúdo político”.
Economia e pandemia
Sobre a pandemia, Ciro avalia que ela está sendo enfrentada pelo Governo Federal de “forma irresponsável, genocida, assassina, incompetente, arrogante, burra, criminosa”. Quanto à atuação da equipe econômica do Governo Federal, Ciro diz que o “neoliberalismo do (ministro da Economia) Paulo Guedes foi uma grande mentira, uma grande traição”.
Sobre as estimativas de crescimento do PIB brasileiro acima de 5% para este ano, Ciro diz que o País foi beneficiado pelo aumento dos preços das commodities no mercado internacional. E citou o baixo patamar da taxa básica de juros como o único número bom da economia brasileira. “Bolsonaro está dando prejuízo aos rentistas que mandam no Brasil há 35 anos, pagando uma taxa de juros mais baixa do que a inflação. Mas Bolsonaro começou a ser contestado no mercado e a taxa de juros está aumentando. É um cala-boca nos protestos dos bancos”.







