IPCA, temor fiscal e transição no Brasil pesam no Ibovespa

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Bolsa. Foto: Sandret/Freepik

Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

Após ceder para a faixa dos 110 mil pontos, o Ibovespa diminuiu o ritmo de queda, após a divulgação do CPI dos EUA, que mostrou uma alta do índice de inflação ao consumidor menor do que a prevista. Em tese, sugere um Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) menos agressivo em sua reunião de política monetária em dezembro. Em Nova York, os índices futuros batiam máximas.

Contudo, o Ibovespa segue sem forças para recuperar ao menos o nível dos 112 mil pontos, depois de começar o pregão nos 113 578,78 pontos.

“O CPI ameniza um pouco, mas é insuficiente para apagar toda a queda. O ambiente local segue mais desafiador do que o exterior. Existe muita cautela em relação aos nomes divulgados na transição de governo para a equipe econômica do presidente eleito. São dois grupos que não se conversam. Há o temor de que o novo governo não seja tão cuidadoso com o fiscal”, avalia Nicolas Farto, especialista em renda variável da Renova Invest.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos avançou 0,4% em outubro, na comparação com setembro, ficando menor do que a mediana das estimativas na pesquisa Projeções Broadcast, de 0,6%. Na comparação anual, o CPI subiu 7,7%, também abaixo da previsão (7,9%).

“O CPI veio bom. É festa lá fora. Fed ‘dovish’ confirmado”, afirma o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. Isso significa que em vez de o banco central dos EUA subir os juros em 0,75 ponto porcentual como fez em reuniões recentes, pode elevar a taxa de maneira menos intensa. A possibilidade de alta em meio ponto porcentual dos juros em dezembro foi a 80,6% após o CPI, conforme a monitoramento do CME Group, de 56,8% ontem.

Conforme Laatus, a queda do Ibovespa e a alta do dólar e dos juros futuros refletem totalmente incertezas dos investidores com o novo governo. Isso porque são crescentes os temores ao fiscal, dados sinais de que a equipe do presidente eleito pretende estuda tirar gastos sociais do teto de gastos, o que elevaria a percepção de descontrole das contas públicas.

“Aqui é totalmente interno”, afirma o estrategista-chefe do Grupo Laatus. Além do IPCA alto e acima do esperado em outubro, ele cita que as indicações dos integrantes do Banco Central hoje, em evento, pesam nos negócios. “Culminou que o IPCA veio forte e ambos indicaram prolongamento dos juros por mais tempo”, diz ao referir-se às palavras da diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC, Fernanda Guardado, e do diretor de Política Econômica Diogo Guillen.

Segundo Laatus, “e o fiscal pode fazer com que isso aconteça juros mais altos por mais tempo. Já há quem fale que a Selic poderia ficar no atual nível 13,75% ao ano durante o ano todo de 2023. Tem toda essa questão do Orçamento no novo governo, de tirar o teto de gastos, de gastança, de tirar o Bolsa Família do teto”, diz.

Além disso, o mercado fica na defensiva após o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmar que só começará a montar seu ministério e anunciar nomes da equipe econômica após a viagem ao Egito, na próxima semana, onde participará da 27ª Conferência do Clima da ONU (COP27).

Neste ambiente interno negativo, nem mesmo o balanço recorde do Banco do Brasil ajuda. Após testarem alta, as ações do BB cediam 2,27% perto de 11h20, puxando os papéis do setor para baixo. Itaú Unibanco, que divulga balanço após o fechamento da B3, recuava 3,73%.

Agência Estado

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