Compliance trabalhista: o antídoto contra o assédio nas empresas; Por Érica Martins

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Em tempos de alta vigilância social e jurídica, adotar um programa de compliance trabalhista deixou de ser apenas uma boa prática para se tornar questão de sobrevivência corporativa. Uma política séria de conformidade, com normas claras, treinamentos frequentes e canais de denúncia eficazes, funciona como verdadeiro escudo contra o assédio moral e sexual no ambiente de trabalho.

Ao criar um ambiente organizacional pautado na ética, o compliance trabalhista previne comportamentos abusivos e reduz riscos de ações judiciais que podem resultar em indenizações milionárias e graves danos à imagem institucional. Além disso, promove segurança psicológica e bem-estar, fortalecendo a confiança entre a equipe e a liderança.

Dados recentes confirmam a urgência: entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, a Justiça do Trabalho registrou 116.739 ações por assédio moral, alta de 28% em relação ao ano anterior; o montante total chegou a 458.164 processos entre 2020 e 2024. No caso do assédio sexual, o crescimento foi ainda mais alarmante: os processos passaram de 6.367 em 2023 para 8.612 em 2024 — um salto de 35%. Esses números revelam um ambiente onde vítimas mais conscientes passaram a cobrar reparação e proteção.

O impacto legal também se intensificou com a Lei nº 14.457/2022, que instituiu o Programa Emprega + Mulheres e alterou a CLT, transformando a CIPA em Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio. A lei tornou obrigatórias: políticas internas contra assédio, canais de denúncia com anonimato, treinamentos anuais, e suporte à empregabilidade feminina com licenças estendidas e flexibilidade de jornada

Investir em mecanismos de prevenção e resposta ao assédio demonstra compromisso genuíno da empresa com seus valores e com a dignidade de cada colaborador. Isso repercute positivamente na atração e retenção de talentos, já que profissionais qualificados buscam ambientes saudáveis, respeitosos e transparentes.

Mais do que atender à lei, implantar e manter um programa de compliance trabalhista eficaz significa assumir o papel de protagonista na transformação social, combatendo práticas discriminatórias e ajudando a construir relações de trabalho mais justas e humanas. Afinal, empresas que investem em pessoas colhem sempre os melhores resultados.

Erica Martins é advogada, especialista em Direito e Processo do Trabalho e Direito Previdenciário, Professora Universitária, Conselheira Estadual da OAB-CE e Diretora da Escola Superior da Advocacia no Ceará (ESA-CE).

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