Maioria vê tentativa de fuga de Bolsonaro ao danificar tornozeleira, aponta Datafolha

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Foto: Sergio Lima / AFP


O fato:
Uma nova pesquisa Datafolha mostra que a maioria dos brasileiros acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) danificou sua tornozeleira eletrônica enquanto preparava uma fuga, e não devido a um surto paranoico, como ele afirma. Segundo o levantamento realizado entre os dias 2 e 4, 54% concordam com a versão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, enquanto 33% aceitam a justificativa apresentada pelo ex-presidente. Outros 13% não souberam opinar.

O que os números mostram: O resultado aparece de forma homogênea entre os principais grupos socioeconômicos, com variações dentro da margem de erro. Entre jovens de 16 a 24 anos, o índice de quem acredita na tentativa de fuga chega a 60%. Já entre os mais ricos, 40% optam pela narrativa do surto.

No recorte político, o comportamento é ainda mais distinto. A ideia do surto é majoritária entre grupos associados ao bolsonarismo: 40% no Sul e no Norte/Centro-Oeste, 46% entre evangélicos e impressionantes 66% entre os que votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022. A versão da fuga, por sua vez, encontra maior adesão no Nordeste (61%) e entre quem votou em Lula (66%).

O contexto: O episódio ocorreu na madrugada de 22 de novembro. Bolsonaro cumpria prisão domiciliar desde 4 de agosto, usando tornozeleira eletrônica por determinação de Moraes. Às 0h07, um alerta de violação do equipamento foi registrado pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal.

Quando questionado, Bolsonaro afirmou ter batido o dispositivo na escada, mas agentes foram até o local. Encontraram a tornozeleira danificada com um ferro de solda, segundo ele, “por curiosidade”. A explicação mudou poucas horas depois, com a versão do surto paranoico apresentada na audiência de custódia.

Investigação: Para Moraes, a hipótese mais plausível era a preparação de uma fuga. O ministro já desconfiava da movimentação após Flávio Bolsonaro convocar uma “vigília de orações” em frente à residência do pai justamente naquele dia. Na avaliação do magistrado, a confusão poderia servir para retirar o ex-presidente do local e levá-lo a uma embaixada de país simpático, como EUA, Argentina ou Hungria, locais invioláveis para autoridades brasileiras.

Estratégia de comunicação: Aliados de Bolsonaro inicialmente tentaram ligar o episódio a uma suposta perseguição religiosa. Depois que as imagens da agente penitenciária examinando o equipamento quebrado foram divulgadas, a narrativa migrou para o suposto surto. Advogados sugeriram até uma combinação de medicamentos como causa, hipótese considerada improvável por médicos.

E agora: Bolsonaro permanece preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, em uma sala simples com banheiro. Moraes recusou pedido de prisão domiciliar após o encerramento do processo, no último dia 25. O episódio segue como um dos pontos mais nebulosos do processo que resultou na condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses por participação em tentativa de golpe para impedir a posse de Lula (PT).

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