A Cavalgada das Valquírias no Planalto Central; Por Paulo Elpídio

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“Eu amo o cheiro de napalm pela manhã. Cheira a vitória.” — General Kilgore (Robert Duvall – Veja imagem)), Apocalypse Now

“Eu vi um caracol rastejando na lâmina de uma navalha.” — Coronel Kurtz (Marlon Brando), idem

A blitzkrieg, a guerra por assalto, trouxe de volta, pela perversidade do nazismo, a brutalidade das guerras antigas. O cenário bélico assumiu os ares de uma formidável produção hollywoodiana. Não bastavam aos caças da Luftwaffe a empolgante e mortal coreografia de seus voos de ataque: foi-lhes acrescido o som monstruoso de uma sirene que anunciava o mergulho da morte sobre populações indefesas.

Milhões de mujiques perderam a vida nas extensões desertas da Sibéria, a pretexto de uma reforma agrária mal-sucedida, resultante da expropriação e coletivização da terra — o modelo stalinista.

O espetáculo que incendiou as telas mundo afora, em Apocalypse Now, de Francis Coppola — helicópteros da cavalaria americana bombardeando um vilarejo vietnamita ao som da “Cavalgada das Valquírias”, de Wagner —, os campos de concentração, os gulags, o assassínio de populações e etnias… Sem esquecer Átila no cerco a Paris, menos ainda Nero, tomado de loucura, a tocar a lira à vista do incêndio ateado a Roma…

As artes do governo sobre os haveres do Estado e as necessidades do povo ganharam, no Brasil — como, de resto, no mundo ainda por civililizar-se politicamente, o “Terceiro Mundo”, imagem cunhada por Alfred Sauvy e Georges Balandier, que os otimistas rejeitavam —, ares autoritários de um totalitarismo que não ousa dizer o seu nome.

A polarização de contrários marca, entretanto, a índole totalitária, há muito tempo disfarçada, dos políticos e governantes brasileiros. O conflito poderoso dos contrários poderia ser associado a um sistema político dotado de forte viés democrático. O que ressalta, no entanto, das convergências autoritárias apontadas é o enrijecimento das instituições e sua capacidade de intervir no mecanismo democrático do governo.

Montamos, nós, brasileiros, mal dotados das práticas da equitação, à maneira do Dr. Fantástico, ao som da nossa própria cavalgada das valquírias…

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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