Por Aldairton Carvalho
A transição tecnológica em curso impõe ao mundo um desafio estrutural que vai além da inovação: a necessidade urgente de ampliar e diversificar as matrizes energéticas globais.
Robótica avançada, veículos autônomos, inteligência artificial, computação em nuvem e a expansão acelerada de data centers estão redefinindo os padrões de consumo energético em escala inédita.
O progresso digital deixou de ser apenas uma questão de software; tornou-se, de forma definitiva, uma questão de energia, infraestrutura e planejamento de longo prazo.
Cada avanço tecnológico carrega uma demanda energética proporcionalmente maior. Algoritmos de inteligência artificial exigem capacidade computacional contínua e intensiva; data centers operam 24 horas por dia, com alto consumo elétrico e necessidade permanente de refrigeração; veículos elétricos e sistemas autônomos transferem para a rede elétrica uma demanda antes concentrada em combustíveis fósseis.
A digitalização do mundo físico desloca o centro do poder econômico para quem controla fontes seguras, abundantes e previsíveis de energia.
Nesse contexto, energia passa a ser tratada como ativo estratégico, diretamente vinculado à soberania nacional, à competitividade industrial e à segurança geopolítica. Países e regiões que não expandirem suas matrizes combinando fontes renováveis, sistemas de armazenamento, redes inteligentes, infraestrutura de transmissão e novas soluções energéticas correm o risco de se tornarem dependentes, vulneráveis ou tecnologicamente irrelevantes.
O livre mercado energético cede espaço a políticas industriais, subsídios estratégicos e planejamento estatal coordenado.
Para o Brasil, essa realidade impõe uma escolha clara. A abundância de recursos naturais não é mais suficiente por si só. É necessário investir de forma consistente na ampliação da capacidade instalada, na modernização do sistema elétrico, na previsibilidade regulatória e na integração entre energia, tecnologia e indústria. Sem energia abundante, barata e limpa, o país perde atratividade para investimentos produtivos, para a economia digital e para cadeias globais de alto valor agregado.
É nesse cenário que o Ceará assume posição singular e estratégica. O estado consolidou-se como um dos principais polos de geração de energia eólica e solar do país, aproveitando condições naturais excepcionais e um ambiente regulatório favorável. Mais recentemente, passou a liderar projetos estruturantes de hidrogênio verde, conectando energia renovável, indústria, exportação e descarbonização, um vetor decisivo da economia global nas próximas décadas.
Paralelamente, o Ceará projeta-se como centro internacional de recepção de data centers, beneficiado por sua infraestrutura de cabos submarinos, posição geográfica estratégica, estabilidade energética crescente e capacidade de oferta de energia limpa.
Essa convergência entre geração renovável, conectividade digital e demanda tecnológica cria oportunidades raras: atração de investimentos globais, fortalecimento da economia digital, geração de empregos qualificados, aumento da arrecadação e reposicionamento geopolítico do Brasil em uma economia cada vez mais movida a dados e energia.
O Ceará demonstra, na prática, que política energética é política de desenvolvimento. Ao investir de forma integrada em energia, infraestrutura e tecnologia, o estado antecipa tendências globais e oferece um modelo replicável para outras regiões do país.
Em um mundo em que data centers, inteligência artificial e automação industrial escolhem onde se instalar com base em segurança energética e custo marginal de eletricidade, quem lidera a produção de energia limpa lidera o futuro.
A disputa global por liderança tecnológica é, em essência, uma disputa energética. Não haverá inteligência artificial em larga escala sem energia abundante; não haverá economia digital resiliente sem infraestrutura energética robusta; não haverá autonomia tecnológica sem capacidade própria de geração e distribuição.
O futuro das novas tecnologias depende, de forma intrínseca, da expansão dessas matrizes e o Ceará já ocupa lugar central nesse novo mapa do poder energético e digital.







