
Ética como resposta institucional
Na abertura do Ano Judiciário de 2026 na manhã desta segunda-feira, 2, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, colocou o futuro Código de Ética do Tribunal no eixo de sua gestão, anunciando a ministra Cármen Lúcia como relatora da proposta. Mais do que um conjunto de regras formais, o código foi apresentado como instrumento para restaurar confiança pública, prevenir conflitos de interesse e criar parâmetros comuns de conduta num momento em que a Corte tem sido alvo de intenso escrutínio social.
Contexto de controvérsias recentes
A centralidade do Código de Ética não surge no vazio. Nos últimos anos, o Tribunal foi atravessado por debates sensíveis envolvendo ministros e seus familiares, desde questionamentos sobre atuação de parentes na advocacia e consultorias até críticas sobre relações com agentes políticos e econômicos. Sem mencionar casos específicos, Fachin deixou claro que “dúvidas sobre conflitos de interesses devem ser tratadas sempre com transparência” — sinal de que o novo código deverá enfrentar justamente essas zonas cinzentas que têm alimentado críticas ao Judiciário.
Prevenção de conflitos de interesse
Segundo o presidente, o texto deverá consolidar normas de conduta, estabelecer critérios objetivos para situações de impedimento e suspeição e criar mecanismos de prevenção antes que controvérsias se convertam em crises institucionais. A ideia é deslocar o debate do terreno casuístico para um padrão ético comum, aplicável a todos os ministros, independentemente de posição ou trajetória.
CNJ e observatório de integridade
Em paralelo, Fachin afirmou que o CNJ dará continuidade ao Observatório de Integridade e Transparência, reforçando o papel do conselho como farol ético do Judiciário. A articulação entre STF e CNJ indica que o Código de Ética não será peça isolada, mas parte de uma arquitetura mais ampla de fiscalização, responsabilização e prestação de contas.
Liberdade de crítica e responsabilidade
Ao defender a liberdade de expressão e de imprensa, Fachin sublinhou que “a crítica republicana não é ameaça à democracia”. Na prática, o Código de Ética também deverá funcionar como escudo institucional: quanto mais claros forem os limites, menor o espaço para acusações de arbítrio ou de tratamento privilegiado a ministros e seus círculos pessoais.
Legitimidade em ano eleitoral
Em ano eleitoral, o presidente do STF vinculou o código à necessidade de equidistância política e segurança jurídica. A mensagem foi direta: fortalecer padrões éticos internos é condição para que o Tribunal mantenha legitimidade ao julgar temas sensíveis — do uso de redes sociais por magistrados à constitucionalidade de políticas criminais e eleitorais.
Confiança pública como ativo democrático
Ao declarar aberto o Ano Judiciário, Fachin encerrou o discurso conectando integridade, ética e democracia: enquanto a magistratura permanecer íntegra, a democracia estará de pé. O Código de Ética, nesse sentido, aparece como peça-chave para transformar esse compromisso em regras concretas, capazes de resistir às pressões do presente e às polêmicas do passado recente.
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