
Por que importa: no Ceará, a eleição presidencial não é apenas nacional — ela organiza o tabuleiro local. A pesquisa do Real Time Big Data mostra que Lula mantém larga vantagem no estado e exerce um efeito direto de arrasto sobre a disputa para governador. O mesmo não ocorre no campo da direita, mesmo quando testados diferentes nomes.
O retrato geral
Na pergunta aberta, Lula lidera com folga, enquanto a maioria do eleitorado ainda se declara indecisa. Jair Bolsonaro aparece residual no Ceará, e outros nomes da direita — Flávio Bolsonaro, Michele Bolsonaro, Tarcísio de Freitas ou Romeu Zema — não conseguem ultrapassar a casa dos 2% a 3%. O dado central é menos quem aparece atrás e mais o vazio de competitividade do campo oposicionista.
Os três cenários estimulados
Nos cenários fechados, o padrão se repete com consistência:
- Cenário 1: Lula atinge 57%, contra 18% de Flávio Bolsonaro.
- Cenário 2: Lula sobe a 58%, enquanto Flávio Bolsonaro chega a 22%.
- Cenário 3: Lula mantém 58%, mesmo com a inclusão de Ronaldo Caiado, que não passa de 4%.
A estabilidade de Lula nos três cenários indica voto consolidado, pouco sensível à troca de adversários. Já a direita soma percentuais fragmentados, sem capacidade de convergir em um nome competitivo no Ceará.
Rejeição e teto eleitoral
O levantamento de rejeição ajuda a explicar esse quadro. Flávio Bolsonaro lidera a lista dos “não votaria”, com 59%. Lula tem rejeição relevante (36%), mas convive com um teto eleitoral muito mais alto, sustentado por aprovação expressiva do governo federal no estado.
Avaliação do governo
A gestão Lula é aprovada por 65% dos cearenses, contra 34% de desaprovação. Entre os que avaliam o governo como ótimo ou bom, Lula domina amplamente a intenção de voto. Esse dado é decisivo para entender o efeito cascata: a aprovação federal fortalece diretamente o campo governista estadual, criando um ambiente favorável para candidatos alinhados ao Planalto.
O espectro ideológico
O Ceará se declara majoritariamente lulista (41%), seguido por bolsonaristas (22%), independentes (15%) e esquerda não lulista (11%). A direita não bolsonarista representa apenas 9%. O mapa ideológico revela um problema estrutural da oposição: mesmo somados, os segmentos à direita não formam maioria social no estado.
O efeito estadual
Esse contexto ajuda a explicar por que Lula tem capacidade de “puxar” um candidato a governador, enquanto a direita não consegue reproduzir o mesmo efeito. O eleitorado lulista é identitário, fiel e mobilizável. O eleitorado de direita é fragmentado, mais volátil e atravessado por rejeições cruzadas.
Em síntese
A pesquisa Real Time Big Data confirma um dado-chave da política cearense: a eleição presidencial organiza a estadual. Com Lula forte, aprovado e ideologicamente majoritário, o campo governista parte em vantagem. A direita, mesmo testando múltiplos nomes, segue sem âncora eleitoral no Ceará e sem capacidade clara de transferência de votos.
Veja os quadros da pesquisa












