
Após recomendação do MPCE, Prefeitura de Icó rescinde contrato milionário e evita possível dano aos cofres públicos
A atuação do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) levou a Prefeitura de Icó a rescindir contrato firmado com a empresa Lumiere Lux Energia Ltda., que previa pagamento estimado em R$ 3.349.753,32 para melhoria e ampliação do parque de iluminação pública do município.
A medida foi adotada após a 4ª Promotoria de Justiça da comarca constatar a existência de contrato já vigente com objeto substancialmente similar, firmado com a empresa Edjalma Moreira da Cunha – ME (SETA Serviços Técnicos e Arquitetônicos), no valor de R$ 7.402.535,63 e prorrogado até agosto de 2026.
O ponto central identificado pelo Ministério Público foi a sobreposição de objetos contratuais e prazos de vigência — situação que poderia resultar em duplicidade de execução e potencial dano ao erário municipal.
Sobreposição contratual e risco ao erário
Segundo o documento expedido pela Promotoria, o Município celebrou novo contrato em setembro de 2025, mesmo tendo prorrogado contrato anterior com objeto voltado às mesmas ações de eficiência, modernização e ampliação da iluminação pública.
Em hipóteses como essa, a legislação e os princípios que regem a administração pública — notadamente legalidade, economicidade e eficiência — exigem comprovação técnica clara de que não há duplicidade na execução dos serviços nem sobreposição de pagamentos.
A ausência dessa demonstração pode caracterizar gasto indevido e violação ao dever de boa gestão dos recursos públicos.
O papel do Ministério Público na defesa do patrimônio Público
A recomendação expedida pelo MPCE insere-se no âmbito do controle preventivo da administração pública.
Mais do que punir, a atuação ministerial neste caso buscou evitar a consolidação de um possível prejuízo financeiro ao Município.
O acompanhamento continuará, segundo informado, para garantir que não haja novas contratações ou aditamentos com objeto idêntico ou similar sem prévia justificativa técnica de necessidade, vantajosidade e ausência de sobreposição, acompanhada de parecer jurídico.
Trata-se de um movimento que reforça o papel institucional do Ministério Público como fiscal da lei e guardião do patrimônio público.
Governança e responsabilidade administrativa
Casos como o de Icó evidenciam um ponto sensível da gestão pública municipal: a necessidade de planejamento integrado e controle rigoroso de contratos administrativos.
A celebração de instrumentos paralelos com objetos semelhantes, especialmente em áreas de elevado impacto orçamentário, exige análise técnica aprofundada, compatibilização de escopos e justificativa formal detalhada.
A gestão eficiente não se mede apenas pela execução de obras ou serviços, mas pela racionalidade na aplicação dos recursos.
Por que isso importa
A rescisão do contrato representa, antes de tudo, um ajuste institucional preventivo.
Em tempos de restrição fiscal e crescente demanda por serviços públicos de qualidade, a responsabilidade na contratação é elemento central de credibilidade administrativa.
O episódio reafirma que transparência, planejamento e controle não são entraves à gestão — são instrumentos de proteção do interesse coletivo.






