
O fato: A segunda ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em um intervalo de oito meses tem como objetivo promover uma “troca de regime” em Teerã e redesenhar o equilíbrio de poder no Oriente Médio. A avaliação é de especialistas em geopolítica e relações internacionais ouvidos pela Agência Brasil.
Os analistas contestam o discurso oficial de Washington e Tel Aviv de que a ação seria preventiva para impedir que o Irã desenvolva uma bomba atômica.
Avanço diplomático interrompido: A professora de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Rashmi Singh, afirmou que os ataques ocorreram quando as negociações estariam próximas de um acordo. Segundo ela, o chanceler de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, mediador das tratativas, indicou que Teerã teria aceitado não manter estoque de urânio enriquecido.
Para Singh, Estados Unidos e Israel avaliaram que o Irã estaria fragilizado e que o momento seria estratégico para pressionar por mudanças internas no país. A especialista também relaciona a ofensiva ao cenário político interno de Israel e ao governo de Benjamin Netanyahu.
Disputa geoeconômica: O professor Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), avalia que a ofensiva também se insere na disputa por influência regional e pode afetar diretamente a China, grande importadora de petróleo iraniano, especialmente pelo impacto no Estreito de Ormuz.
Segundo ele, o conflito envolve não apenas o embate entre Israel e Irã, mas também o equilíbrio de forças entre potências regionais como Turquia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Rota da Seda e Eurásia: Para outros analistas ouvidos, a guerra também deve ser compreendida no contexto da disputa estratégica entre Estados Unidos, China e Rússia. O Irã ocupa posição relevante na chamada Eurásia e integra projetos de infraestrutura ligados à iniciativa chinesa da Nova Rota da Seda.
Na avaliação do professor Roberto Goulart Menezes, da Universidade de Brasília (UnB), os EUA utilizam historicamente o programa nuclear iraniano como justificativa para pressionar Teerã. Ele destaca que o Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e pode ser inspecionado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Contexto histórico: As tensões entre Washington e Teerã remontam à Revolução Islâmica de 1979, que rompeu a aliança do Irã com os Estados Unidos. Em 2018, ainda no primeiro mandato de Donald Trump, os EUA deixaram o acordo nuclear firmado em 2015, durante o governo de Barack Obama.
Ao assumir novo mandato, Trump retomou a pressão sobre o Irã, exigindo o desmantelamento do programa nuclear, o fim do desenvolvimento de mísseis balísticos e o encerramento do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah.
Texto adaptado da Agência Brasil.






