
A campanha que se desenha polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro tende a ser decidida por um grupo específico: os independentes, os chamados “nem-nem”, que já representam 29% do eleitorado. Pesquisa Genial/Quaest, de acordo com txto publicado no O Globo, revela que esse contingente não é homogêneo, mas majoritariamente inclinado à centro-direita, com posições que variam conforme o tema, ora mais próximas da esquerda, ora da direita.
Os dados mostram que esses eleitores apoiam pautas sociais como manutenção de programas de renda e taxação dos mais ricos, mas também defendem privatizações, liberdade de expressão irrestrita e rejeitam a narrativa de que sua vida melhorou nos governos petistas. Ao mesmo tempo, são o grupo mais descrente da política tradicional e o que mais concorda com a ideia de que todos os candidatos são corruptos, sinalizando um ambiente de forte antipolítica.
O estudo confirma uma tendência silenciosa da política brasileira contemporânea: a eleição não será vencida pela mobilização das bases mais ideológicas, mas pela capacidade de reduzir rejeições entre os desiludidos. O eleitor independente não busca um salvador nem um projeto revolucionário, quer estabilidade, previsibilidade e moderação. É menos um voto de paixão e mais um voto de tolerância.
A centro-direita difusa identificada entre os nem-nem indica fadiga com radicalismos, mas não necessariamente adesão a uma terceira via. O paradoxo é claro: o grupo que pode decidir a eleição é também o que menos acredita nela. O desafio central dos candidatos não será convencê-los de propostas, mas persuadi-los de que vale a pena participar.
Se Lula e Flávio Bolsonaro falharem nessa tarefa, o risco é uma eleição definida por abstenção, voto branco ou comparecimento mínimo, cenário que enfraquece qualquer vencedor e aprofunda a crise de legitimidade já instalada no sistema político brasileiro.






