Governo Lula prepara dois projetos para regular plataformas digitais

COMPARTILHE A NOTÍCIA

O que você precisa saber:
Após surras seguidas nas redes sociais, o governo Lula trabalha em dois projetos de lei para regular as plataformas digitais, com abordagens distintas lideradas pelos ministérios da Justiça e da Fazenda. O objetivo declarado é garantir direitos aos usuários e fortalecer o controle econômico sobre as big techs.

O panorama geral
O governo federal está acelerando discussões para regulamentar as plataformas digitais após o fracasso do PL das Fake News em 2023. O novo movimento surge em um contexto de crescente preocupação com a desinformação e com práticas de mercado das big techs.

• Dois projetos em paralelo:
• Ministério da Justiça: foca na proteção de direitos dos usuários e na transparência das plataformas.
• Ministério da Fazenda: concentra-se em questões concorrenciais, fortalecendo o papel do Cade para fiscalizar abusos de poder econômico.

O Palácio do Planalto quer enviar as propostas ao Congresso rapidamente, evitando que parlamentares tomem a dianteira no debate.

O que está em jogo
1. Direitos dos usuários em foco:
O projeto do Ministério da Justiça busca mais transparência nas redes sociais, exigindo que as plataformas deixem claros seus termos de uso e identifiquem conteúdos patrocinados. Também propõe medidas para a remoção de conteúdos que envolvam crimes graves, como incitação à violência e violações de direitos de crianças e adolescentes.
2. Poder econômico sob vigilância:
O texto da Fazenda pretende ampliar o poder do Cade para monitorar o mercado digital, combatendo monopólios em áreas como anúncios online e serviços de busca. O modelo de referência é o Digital Markets Act (DMA) da União Europeia.

3. Conflito de escopo:
O maior impasse entre os ministérios está na abrangência da regulação:
• Justiça: quer incluir todos os serviços digitais, de redes sociais a fintechs e marketplaces.
• Fazenda: defende foco em grandes plataformas para facilitar a aprovação no Congresso.

O cenário político
• O Congresso entra em cena:
O governo teme perder protagonismo para o Legislativo. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defende que a regulação seja uma tarefa do Congresso, não do Judiciário. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), historicamente apoia algum nível de regulação.
• A oposição e o governo podem se encontrar:
A Secretaria de Relações Institucionais, chefiada por Alexandre Padilha, não descarta apoiar um projeto da oposição considerado mais brando, de autoria dos deputados Silas Câmara (Republicanos-AM) e Dani Cunha (União-RJ), para garantir um consenso mais amplo.

O que diz a sociedade?

Uma pesquisa da Nexus revelou que:
• 60% dos brasileiros apoiam maior controle sobre redes sociais.
• 29% são contrários à regulação.
• 12% não têm opinião formada.

O dado indica que há respaldo popular para o avanço da pauta, o que pode acelerar o processo legislativo.

Por que importa?

A regulação das plataformas digitais tem impacto direto na forma como usamos redes sociais, consumimos informações e interagimos online. O debate também envolve o equilíbrio entre liberdade de expressão, segurança digital e concorrência econômica.

Com o avanço dos projetos, o Brasil se junta a outros países que buscam enfrentar o poder das big techs e os desafios da desinformação em larga escala.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Atlas/Bloomberg: Lula lidera 1º turno, mas entra na eleição com rejeição maior que aprovação

Data centers: Congresso começa a discutir política para setor que já movimenta mais de R$ 380 bilhões no Ceará

Ranking da Competitividade: Ceará muda de patamar, lidera Norte-Nordeste e bate à porta do top 10 nacional

TSE define tempo de TV; Lula terá maior exposição e pode ser trunfo de Elmano no Ceará

M. Dias Branco cresce em volume e fecha semestre com lucro de R$ 275 milhões

Pesquisa Focus Poder/Atlas: Lula é a maior força eleitoral do Ceará; Veja tudo

Pesquisa Focus Poder + Atlasintel para o Senado: diagnóstico em 13 pontos

Guimarães foi o protagonista da articulação que levou Luizianne à compor chapa governista

Ceará consolida elite da educação brasileira no Ideb; Brasil segue sem atingir metas do ensino médio

TRE rejeita tese do relator e mantém Federação União Progressista na chapa de Ciro Gomes

Quaest abre vantagem para Ciro, mas a campanha ainda reserva muitas variáveis

Emandas bilionárias e outros privilégios deve baixar índice de renovação de mandatos federais

MAIS LIDAS DO DIA

André Esteves vê “oportunidade de ouro” para levar Selic a 7% e cobra controle da dívida

Cobranças judiciais de dívidas privadas batem recorde no Brasil

Morre Carlos Monforte, pioneiro do telejornalismo brasileiro, aos 77 anos

PF investiga possível interferência de facção criminosa em campanha eleitoral no Ceará

Ciro Gomes será ouvido como testemunha em investigação sobre interferência de facções nas eleições

Cury corre por fora da raia e já entra no radar dos institutos para um possível 2º turno

Atlas/Focus Poder, Datafolha e Quaest: três pesquisas em campo no Ceará deixam mercado político nervoso

Chevrolet Joy EV: GM prepara novo elétrico para produção no Ceará

Segurança e voto: um casamento instável; Por Ricardo Alcântara