O tabuleiro de poder em torno do Capitão Wagner: uma nova “União pelo Ceará”?

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O União Brasil tornou-se, no momento, a peça
mais disputada no tabuleiro político cearense. A disputa entre base governista e oposição não é recente: remonta a movimentações de 2022 e ganhou força em 2024, quando Camilo Santana (PT) e Cid Gomes (PSB) decidiram abrir uma frente de diálogo direto com Capitão Wagner, adversário histórico.

A noite em Brasília

Segundo reportagem do jornal O Povo, no primeiro semestre de 2024, Wagner esteve com Camilo e Cid em Brasília, na casa de um amigo em comum. À mesa, os governistas ofereceram alternativas: vice em Fortaleza, vice no Governo do Ceará ou cadeira no Senado. O Capitão recusou, classificando o episódio, depois, como “passado”.

O Plano Júnior Mano

Ainda segundo a reportagem, a articulação avançou para uma hipótese mais ousada: filiar Júnior Mano ao União e entregá-lo à presidência estadual, com aval do comando nacional. Mano chegaria como potencial candidato ao Senado, redesenhando o comando do partido. A operação, porém, foi barrada após Wagner e Danilo Forte convencerem Antônio Rueda, presidente nacional da sigla, a não autorizar o movimento. Com isso, Wagner foi reconduzido à presidência até 2027 e passou a ser o nome mais cotado para liderar a federação União Progressista.

“O partido esteve na iminência de estar nas mãos do Governo”, relatou um dirigente.

Conversas anteriores

O Focus Poder apurou que o diálogo de Wagner com setores do PT não começou em 2024. Já em 2022, ele conversava com Luizianne Lins (PT), em meio às indefinições sobre a candidatura em Fortaleza. Para parte do petismo, Wagner poderia até ser considerado alternativa, a depender das circunstâncias, que, ao fim das contas, não se conzfretizaram nesse sentido.

O obstáculo Ciro

Se a política se move por aproximações pragmáticas, um ponto de atrito permanece: Ciro Gomes. Cid Gomes, que levou um tiro no peito em um motim da PM, que tece apoio de Wagner, tem um estlo mais resrvado e bem mais negociador e não é exatamente um problema para o Capitão. Quanto a Ciro, nenhum outro adversário foi tão duro e persistente nas críticas a Wagner, em discursos e vídeos que ainda circulam. Esse histórico cria desconforto e, mesmo sabendo que a política é dinâmica, trata-se de um fator limitante para criar as convergências.

A lógica do poder

O episódio ilustra mais uma vez o estilo do governismo cearense: ampliar continuamente o arco de alianças como forma de reduzir o espaço oposicionista. Wagner possui vasos conectantes com o governismo. Um deles, de relevância, é o prefeito e Maracanaú, Roberto Pessoa, firme aliado do petismo no Ceará e um velho inimigo pessoal de Ciro Gomes. Essas uniões entre antigos rivais é parte da história política do Ceará. Há um momento histórico: a famosa União pelo Ceará, em 1962, na última eleição antes do golpe militar de 1964.

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