
O fato: Um em cada quatro profissionais de recursos humanos considera a alta rotatividade de estagiários o maior desafio enfrentado atualmente pelas empresas na gestão desses programas. É o que revela levantamento do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), obtido com exclusividade pela Folha, a partir de entrevistas com 260 responsáveis pela contratação de estagiários. Segundo a pesquisa, 26% dos respondentes apontaram a dificuldade de retenção como principal obstáculo, superando questões como valor da bolsa (17%) e dificuldades na transmissão da cultura organizacional (12%).
Contexto: Os dados indicam que a evasão está diretamente associada à percepção de que as condições oferecidas pelas empresas não atendem às expectativas dos estudantes. Entre os entrevistados, 63% concordam total ou parcialmente que muitos estagiários desistem das vagas por remuneração pouco atrativa, benefícios limitados e falta de perspectivas claras de desenvolvimento. Ainda assim, as empresas seguem priorizando critérios comportamentais na seleção, como interesse em aprender, disciplina, pontualidade e habilidades socioemocionais, acima de competências técnicas específicas.
Na efetivação, essa lógica se intensifica. Postura profissional é o fator mais valorizado, citado por 34% dos entrevistados, seguido por comprometimento com resultados (16%) e proatividade (15%). Para 84% dos profissionais de RH, a disposição para o aprendizado contínuo pesa mais do que domínio técnico de ferramentas.
Apesar do cenário desafiador, a taxa de aproveitamento é considerada elevada: mais da metade das empresas efetiva acima de 50% dos estagiários, e 29% relatam índices superiores a 70%. Ainda assim, quase metade dos respondentes afirma que a dificuldade em manter estudantes até o fim do ciclo compromete os resultados esperados dos programas.
Gestão e formato de trabalho: A pesquisa também aponta tensão entre expectativas das empresas e preferências dos estudantes. Embora 83% dos profissionais considerem o trabalho presencial mais favorável ao aprendizado e à efetivação, 55% afirmam que os jovens preferem modelos mais flexíveis, que reduzam o deslocamento diário.
Outro ponto crítico é o acompanhamento dos estagiários. Para 78% dos entrevistados, o desenvolvimento depende mais do gestor direto do que do formato de trabalho, mas 63% avaliam que muitos líderes não conseguem dedicar atenção suficiente a essa função. Nesse contexto, 85% defendem treinamento específico para gestores que acompanham estagiários.
Estrutura dos programas: O levantamento mostra que 68% das empresas contratam estagiários sob demanda, sem programas estruturados. Entre as organizações que mantêm iniciativas formais, predominam modelos generalistas, com duração de até dois anos. O estudo também evidencia o fortalecimento das empresas integradoras: 93% dos entrevistados afirmam que essas parcerias garantem o cumprimento das exigências legais e 88% avaliam que contribuem para elevar a qualidade das contratações.





