Taxismo de Trump vira saída para a esquerda e Lula empunhou a bandeira do nacionalismo

COMPARTILHE A NOTÍCIA

O presidente Lula (PT) se reúne nesta quarta-feira (12) com ministros e assessores para definir a reação do Brasil à taxação de aço e alumínio imposta por Donald Trump. A conversa, porém, vai além das tarifas e toca o cerne de um embate político e ideológico. Não duvidem se a esquerda tomar o verde e amarelo das mãos da direita e até começar a vestir a camisa da CBF.

Por quê importa: Trump, com sua ofensiva tarifária, abriu uma escapatória estratégica para a esquerda no Brasil. Ao impor uma medida que afeta diretamente interesses nacionais, esvazia o discurso da direita e oferece ao governo Lula a oportunidade de defender o Brasil com um discurso nacionalista, atraindo setores que até então se alinhavam ideologicamente aos americanos.

“Se adotarmos a reciprocidade, será por conta da intransigência americana. Trump está desgastando o bolsonarismo. Uma ala da direita vai ter de optar entre defender o interesse nacional ou a ideologia cega”, resumiu um assessor próximo ao presidente.

O que está na mesa:

  • O Itamaraty já prepara um cardápio de produtos que podem ser sobretaxados em resposta à medida americana.
  • O governo avalia envolver o Congresso, com a possibilidade de um projeto de lei ou medida provisória que defenda setores estratégicos, como o agro.
  • A estratégia é também política: impor às bancadas uma escolha pragmática entre apoiar o governo ou a lógica trumpista.

Contexto maior: Trump voltou ao poder acelerando uma agenda de ruptura. Sua ofensiva tarifária já gera reações dentro e fora dos Estados Unidos. A resistência parte de ruralistas, gigantes da indústria e até de setores do Partido Republicano. No Brasil, essa movimentação expõe o constrangimento de aliados de Jair Bolsonaro, como Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), defensor do americano e cotado para presidir a Comissão de Relações Exteriores.

O que Lula diz: Em tom firme, o presidente já deixou claro o caminho que pretende trilhar:

“Diplomacia não pode ser feita na base do grito, e líderes de nações soberanas e democráticas conversam de forma civilizada.”

Entrelinhas: O governo Lula vê na escalada trumpista uma oportunidade para reforçar sua imagem como liderança ponderada e democrática. Internamente, é uma chance de desarmar a oposição e reafirmar o compromisso com o interesse nacional. Ao puxar o debate para o campo do nacionalismo pragmático, Lula tira da direita o discurso de defesa do país, colocando-a na difícil posição de escolher entre a lealdade ideológica a Trump ou a defesa dos interesses brasileiros.

O que observar:

  • Como o Brasil vai calibrar a resposta e o impacto dessa medida no comércio bilateral.
  • Se o Congresso se alinhará ao governo em defesa dos setores estratégicos.
  • O desdobramento político para a direita, dividida entre o alinhamento ideológico e a defesa de interesses econômicos.

O fundo do jogo: Se Trump pressiona pela ruptura, Lula aposta na diplomacia firme, mas equilibrada. E, nesta disputa, não são apenas tarifas que estão em jogo, mas o próprio papel do Brasil em um cenário global cada vez mais polarizado. Para a esquerda, a ação de Trump é uma oportunidade de retomar o protagonismo, enquanto para a direita, um dilema: priorizar o Brasil ou a ideologia?

 

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Selo do TSE divide institutos; AtlasIntel apoia iniciativa e acende debate sobre precisão das pesquisas

Aval de Lula consolida Cid Gomes como candidato ao Senado e aproxima definição da chapa governista no Ceará

O Duplo Twist Carpado de Mauro Filho

Obtuário: Cid Carvalho, uma voz que atravessou gerações da comunicação e da política cearense

A chapa dos sonhos do governismo no Ceará

Jogando na defesa e no ataque, Romeu Aldigueri se torna referência no enfrentamento com a oposição

Ceará como um dos elos da nova cadeia automotiva mundial e a bad trip da nossa política

O silêncio de Cid Gomes não é dúvida. É método.

Carta a Trump: Mais um grave erro político de Flávio Bolsonaro

Camilo e Luizianne reabrem canal político após anos de distanciamento

A aposta do Ibmec no capital humano cearense

Fortaleza domina Enem 2025: capital ocupa as 3 primeiras posições do BR e tem 4 escolas entre as 10 melhores

MAIS LIDAS DO DIA

Financiamento de veículos tem melhor primeiro semestre desde 2008

Brasil aciona OMC contra tarifas impostas pelos Estados Unidos

Genial/Quaest: Lula amplia vantagem em Pernambuco; Raquel Lyra consolida liderança na disputa estadual

O Globo: Michelle articula nome de Priscila Costa para vice de Flávio Bolsonaro

CNJ mapeia gargalos do Tribunal do Júri no Ceará para reduzir acúmulo de processos

STJ barra recurso de Robinho ao Supremo sobre condenação por estupro e mantém prisão do ex-jogador

TST mantém indenização para funcionária após empresa ignorar denúncias de atos obscenos no trabalho

22º Congresso Brasileiro de Arquitetos coloca Fortaleza no centro do debate nacional sobre cidades e sustentabilidade

O sopro do futuro: o alarme dos economistas e o crepúsculo do dinheiro; Por Machidovel Trigueiro Filho