
Por Rui Martinho Rodrigues
rui.martinho@terra.com.br
Lideranças de todos os partidos foram arrastadas pelas águas dos escândalos investigados pela PF, noticiados pela imprensa e comentados nas redes sociais, denunciados pelo MPF e muitos deles transformados em processo na Justiça, havendo condenações em profusão. A dívida pública cresceu exponencialmente. Não como antigamente, quando nos endividávamos para fazer Brasília, hidrelétricas, portos, aeroportos, portos, linhas de transmissão de energia, estradas e siderúrgicas.
Tivemos um milagre reverso: uma dívida sem obras e sem crescimento econômico. Tivemos “campeões” do mundo dos negócios turbinados com dinheiro público, de forma discriminatória relativamente a outras empresas do mesmo ramo, com iguais condições de crescimento. Tivemos assistencialismo sem promovermos a autonomia dos beneficiários das políticas assistenciais. Tivemos enriquecimento súbito de empresários, tecnocratas e políticos.
Nada disso foi denunciado pela suposta oposição. O jornalismo investigativo, a imprensa, as redes sociais, a PF e o MPF assumiram o papel de fiscais da probidade pública sem o apoio e até contrariando “oposicionistas” do Congresso. A sociedade cansou. A política não está sendo criminalizada pela PF, pelo MPF, pela imprensa ou pelas redes sociais. Ela está sendo criminalizada pelos políticos, precisamente pela conduta dos políticos, sejam corruptos, sejam por se manterem silentes em face dos desvios de conduta dos que dirigem a Nação.
A sociedade cansou. Os brasileiros não aguentam mais. Querem renovação da vida pública. Querem nomes novos. Querem pessoas com passado limpo, com currículo bem formado, oriundos de instituições respeitáveis. O desgaste das instituições não alcançou as corporações militares, apesar de toda a campanha que os “magoados” fazem contra elas, olhando para o passado e focando apenas nas práticas de um lado. O insuspeito ministro Roberto Barroso, porque vindo da militância ideológica hegemônica, típico “intelectual ungido”, conforme a classificação de Thomas Sowell, afinado com os que se consideram sábios o bastante para empreender uma reengenharia social e antropológica, ainda que sem o amparo das ciências exatas de que se valem os engenheiros, confessadamente adversário do consulado militar do nosso passado recente, derramou um dilúvio de elogios aos militares.
Não por acaso surgem numerosas candidaturas de militares. Uma ao governo do DF, outra a presidência da República e muitas outras, dos mais diversos níveis hierárquicos. Algumas muito polêmicas. Outras inquestionavelmente respeitáveis. No Ceará surge o nome do General Guilherme Theophilo, portador de currículo brilhante não só no âmbito militar, mas com títulos da maior respeitabilidade na área acadêmica, mais precisamente na área de tecnologia de informação. Vem de uma instituição respeitável, na qual fez todos os cursos com brilho invulgar, galgou todos os postos de uma hierarquia meritocrática e é sangue novo na política.
Resta saber se os tradicionais processos de cooptação praticados no processo eleitoral serão mais fortes do que o anseio de renovação e a qualificação do nome citado, em meio a escassez aguda de opções. Não se trata de fulanizar a análise política, mas de analisar a conjuntura.







