Ninguém é de ninguém

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Ricardo Alcântara é escritor e publicitário. Filiado à Rede Sustentabilidade. Escreve semanalmente para o Focus.jor.

Por Ricardo Alcântara
fortaleza.ricardo@gmail.com
Pesquisas eleitorais com seis meses de antecedência, mais ainda em contexto turbulento como o atual, não dizem muito. As incertezas persistem e cada candidato pinça os dados que lhe convém e tece a leitura que mais lhe favorece.
Nas mídias digitais, os apoiadores das candidaturas progressistas de Ciro Gomes e Marina Silva, por exemplo, os posicionam, com base nas pesquisas recentes, como herdeiras dos votos de Lula, agora não mais candidato de fato.
Por outro lado, os baixos índices de intenção de votos dos candidatos mais identificados com o lulismo – Fernando Haddad, Manuela D’Ávila e Guilherme Boulos – servem para reforçar a tese de que o voto lulista irá migrar na direção do centro.
Menos, gente. Em primeiro lugar, nenhum nome indicado por Lula e apoiado pelos movimentos sociais aliados a ele terá, de saída, menos de 15% de votos, o que, numa campanha com uma penca de candidatos, já é muito voto para iniciar a corrida.
E, outra: a entrada de Joaquim Barbosa tende a dispersar ainda mais o espólio do eleitorado reformista, mais sensível à causa do combate à pobreza, tanto entre os jovens de classe média quanto na periferia das grandes cidades.
De modo que cada um cuide de se consolidar nas faixas onde já se encontram seus eleitores menos circunstanciais: a dispersão dos votos lulistas tende a não favorecer a nenhum dos demais candidatos progressistas em especial.
Enfim, minha aposta, a preço de hoje, é: os votos de Lula não beneficiarão nenhum candidato de modo decisivo porque são muitos os que, de algum modo, representam um ou outro aspecto mais relevante do perfil de Lula.
O que significa dizer, por outros meios, algo que a esquerda odiaria escutar, mas que resulta de um cálculo: Lula não decidirá a sucessão presidencial de 2018. A ver.

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