Cenário de Juros no Brasil e no Mundo. Por André Tavares

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Economista, cursando MBA em Finanças pela USP, Pós graduando em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV-SP. Especialista em Investimentos pela ANBIMA e Analista de Investimentos Internacionais da Suno Research.

Na reunião da última quarta-feira (17/03) o COPOM, Comitê de Política Monetária, realizado por membros da equipe do Banco Central, diante da escalada da inflação, resolveu subir a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,75 pontos percentuais. 

No mesmo dia, o FOMC, Federal Open Market Comitttee, o mesmo comitê de política monetária, porém do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, optou por manter as taxas de juro dentro do intervalo entre 0% e 0,25%. 

Primeiro, uma breve explicação sobre como funcionam as taxas de juros de mercado. Os juros funcionam com uma curva de inclinação. Quanto maior o prazo da taxa de juros, mais alto os juros serão precificados no mercado para empréstimos mais longos. E essa inclinação dos juros é dada pelas negociações no mercado aberto. 

Nesse sentido, dois fenômenos opostos ocorreram: nos Estados Unidos, a parte mais longa da curva de Juros, de 10 anos, vem subindo com bastante ímpeto nas últimas semanas. E, com a decisão do FED de manter as taxas de juros zeradas, essa parte mais longa da curva subiu mais ainda, com o mercado não mais acreditando na capacidade dos banco central de manter as taxas de juros baixas por um período maior. 

Porém, aqui no Brasil o efeito foi o contrário. Nas semanas anteriores às altas das taxas de juros, a curva mais longa da taxa de juros local era uma das mais altas do mundo, dado os intermináveis problemas fiscais que acometem o Brasil nos últimos anos, fazendo o mercado cobrar um prêmio muito alto para emprestar dinheiro para o Brasil por longos prazos. 

Assim, quando o BACEN optou por dar um aumento superior ao que a média do mercado estava precificando, ele evidenciou para os investidores locais e institucionais que ainda possuem o controle firme da política monetária, e sinalizou que podem continuar subindo os juros se necessário. 

Isso fez com que a parte mais longa da curva de juros viesse mais para baixo, fazendo um achatamento dos juros no Brasil. 

E quais foram os motivos e quais os impactos desse aumento da taxa Selic? Até pouco tempo, o Banco Central estava em uma encruzilhada econômica, com um severo debate interno. 

De um lado, há uma equipe mais academicista do banco que entendia que o mandato do BCB era manter estável o nível de preços da economia, e esse seria medido pelo comportamento do Índice de Preços Amplos ao Consumidor, o IPCA. Sendo esse o motivo do Banco Central existir, e era essa a meta que ele deveria buscar com a política monetária. 

E o IPCA estava constantemente dentro do centro da meta estipulado, pois o preço dos serviços não podia subir pois estavam fechados. Além disso, o país enfrentava grave recessão econômica causada pela pandemia da COVID-19, por isso, os juros deveriam se manter em patamares de estimulação da atividade da economia. 

De outro lado, a ala mais atenta ao mercado defendia que o dólar estava bastante valorizado contra o real, oscilando em torno de R$ 5,60, e com um nível de volatilidade bastante alto. Além disso, que, apesar de o IPCA estar baixo, o IGPM, medido pela FGV estava muito alto, em níveis superiores a 25%, e essa pressão inflacionária eventualmente iria passar para o IPCA. Também sinalizavam os problemas das taxas de juros longas estarem muito altas, o que encarecia o endividamento do Governo Federal. 

As duas percepções estavam certas, cada um sob a sua óptica. 

Porém recentemente tivemos também o IPCA estourando o limite superior da meta, o que fez o segundo grupo do banco central se sagrar vitorioso, ao menos por enquanto, desse embate. 

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