
Com a redução da taxa de juros no Brasil, que sempre horam historicamente altas, chegamos, finalmente, a patamares civilizados. Enquanto as principais economias do mundo operavam com taxas de juros de 1 dígito baixo, no Brasil sempre tivemos juros acima de 10% e, muitas vezes, bem acima disso.
Com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, e o governo do Michel Temer, o país iniciou uma série de reformas de cunho fiscal que nunca havíamos enfrentado antes.
Foram justamente essas reformas que permitiram que o Brasil entregasse uma taxa de juros de 4,5% antes da pandemia, e de 2% durante a pandemia.
Mesmo os economistas mais pessimistas hoje, não estimam que as taxas de juros vão para patamares próximos aos de antigamente. Teremos, finalmente, taxas de juros estruturais que permitam que a economia e o mercado de capitais possam se desenvolver.
Esse processo de redução das taxas de juros iniciou o que chamamos no mercado de “financial deepening”, termo cunhado por André Esteves, sócio principal do Banco de Investimento BTG Pactual.
O financial deepening consiste no aprofundamento do mercado financeiro para pessoas que, até então, tinham como única alocação de patrimônio CDBs de grandes bancos, poupanças e títulos do tesouro público de curtíssimo prazos.
E por que isso acontecia? Porque o retorno desses investimentos era bastante atrativo, dado o nível de juros que tínhamos.
Com a redução dos juros, as pessoas precisaram buscar alternativas mais sofisticadas para investirem seus patrimônios. É nesse ponto que surgem o investimento em ações, fundos imobiliários, fundos de investimentos dos mais diversos tipos, títulos públicos de prazos mais longos, títulos de renda fixa corporativas, e até investimentos no exterior.
Apenas ano passado, no meio da mais severa crise econômica e no mercado financeiro, 600 mil novas pessoas entraram na bolsa de valores, fechando o ano com 3,2 milhões de brasileiros investindo em bolsa, número bem menor do que o de países desenvolvidos, e mesmo do que países subdesenvolvidos.
Porém, esse aumento expressivo trouxe também vários investidores que fazem operações de curtíssimo prazo na bolsa de valores, o famigerado “day trade”, que consiste em comprar uma ação de uma empresa e vende-la no mesmo dia, esperando obter lucro nessa operação.
Um estudo da FGV apontou que essa estratégia de investimentos não é eficiente para o longo prazo, e que 90% dos investidores que fazem isso perdem dinheiro, e os 10% que consegue ganhar dinheiro, não ganham mais do que motoristas de uber (com todo respeito do mundo aos motoristas de uber).
E por que isso acontece? Porque uma ação é uma fração de uma empresa. A ação representa a menor fração do capital social de uma empresa. Quando uma pessoa compra uma ação no mercado de capitais, ela se torna dona de uma pequeníssima parte da empresa.
E, como o preço da ação representa o valor de mercado da empresa, e empresas obedecem a ciclos empresariais, que são ciclos de longo prazo, o preço da ação no mercado de capitais não reflete nenhum fundamento econômico, apenas as flutuações de oferta e demanda.
Por isso, o investimento em ações deve ser feito com mentalidade de longo prazo, se colocando na visão de um acionista da empresa, que espera ser remunerado pelos fluxos de caixa que a empresa lhe pagará ao longo do tempo, bem como pela melhora das suas operações.
Iremos falar mais sobre o investimento em ações ao longo das próximas colunas.







