Presença brasileira no Fórum Ibero-Latino-Americano de Entidades Médicas

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Florentino Cardoso é presidente da Confederação Médica Ibero-Latina-Americana e do Caribe (Confemel)

Florentino Cardoso
Post convidado
Estivemos reunidos em Toledo, Espanha, de 9 a 12 de maio 2018, representantes de 16 países e do Vaticano, discutindo saúde, medicina e vida do médico nos nossos países. Falamos sobre políticas sanitárias, acessos aos serviços, custos de medicamentos, saúde nas redes sociais, inteligência artificial, formação médica, relação profissional e outros.
Estamos distantes uns dos outros, especialmente como vivem hoje bolivianos, venezuelanos, hondurenhos (situação crítica, desesperadora), comparados aos espanhóis, portugueses (os com sistema de saúde melhores estruturados), quando analisamos os países presentes.
Falei sobre saúde nas redes sociais e inteligência artificial impactando na saúde. Notório que redes sociais tem muito “lixo” quando pensamos em qualidade da informação, mas que pode ajudar muito se bem estruturada (pacientes e profissionais de saúde), desde que tenhamos interesse em promover informações sólidas em evidências científicas de qualidade, seguras e preservando o sigilo profissional. Notadamente num país continental como o Brasil, avançar em telesaúde, eHealth é fundamental, pois estamos atrasados.
No que diz respeito à termos dados precisos, transformando-os em boas informações, utilizando-as como ferramentas de gestão também não fazemos, embora já devesse estar ocorrendo. Ao contrário, a saúde brasileira continua desconectada, sem funcionar como rede integrada. Chegamos ao cúmulo de não termos integração em grande capitais. Cidades “não falam” umas com outras, e até na mesma cidade, hospitais públicos também não são integrados em termos de inteligência da informação. Um verdadeiro faroeste, pois vivemos no salve-se quem puder.
Consequência: muitos pacientes morrendo por mortes evitáveis e total descompromisso de gestores incompetentes. Nos maiores hospitais de Fortaleza faltam insumos, medicamentos, fios cirúrgicos. Nossa sorte ainda termos profissionais (médicos, enfermeiras, fisioterapeutas, farmacêuticos etc.) dedicados e competentes, mesmo muitos deles sendo tratados como “boias-frias”, como os médicos temporários compondo os serviços (que querem tornar uma política definitiva e desastrada).
Com inteligência artificial bem utilizada podemos avançar muito na assistência, ensino, pesquisa, gestão. Na assistência, importa-nos não somente diagnóstico e tratamento, pois devemos cada vez mais falar e realizar diagnóstico precoce, prevenção (terciária, secundária, primária), promoção da saúde e especialmente educação em saúde, que tem enorme poder de modificar para melhor qualquer sistema de saúde. Como educação em saúde, leva pelo menos uma geração para termos grandes resultados, não interessa aos políticos e gestores, que só pensam no imediatismo e “governam” sem planejamento. É nossa realidade.
Devido ainda existirem profissionais de saúde interessados em soluções que contemplem o coletivo, com melhores desfechos, pensando em custo, qualidade assistencial, segurança dos pacientes, sustentabilidade do sistema de saúde, continuamos esperançosos e lutando por um futuro melhor. Chega de propaganda enganosa, façamos o que o povo precisa e urge necessário. E em período eleitoral o que não falta é propaganda enganosa e falsas promessas.
Vamos adiante, pois saúde é nosso bem maior.

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