
Por Rui Martinho Rodrigues
rui.martinha@terra.com.br
Quem vem lá? A expectativa de renovação estimulou candidaturas. Um pelotão de candidatos, inclusive alguns desconhecidos ou sem base partidária, é resposta a indagação inicial. Olhemos para os pequenos. Dentre eles Flávio Rocha, sessenta anos, empresário, duas vezes deputado federal, liberal em economia e conservador nos costumes, desconhecido da maioria dos brasileiros, pode se apresentar como não pertencendo ao meio político, supostamente facilitando a caça ao voto.
Aldo Rebelo, sessenta e dois anos, formado em Direito, foi militante do movimento estudantil e do PC do B, ministro do Lula, presidente da Câmara dos deputados, saiu do PC do B para filiar-se ao PSB, do qual saiu para o Solidariedade, foi vereador e deputado federal cinco vezes, é um político de São Paulo. Não é um estranho no ninho da política, não representa renovação.
Álvaro Dias, setenta e três anos, formado em História, trocou o PV pelo PTN, eleito senador quatro vezes seguidas, foi um crítico acerbo das administrações petistas, conhecido de muitos eleitores, sem que isso se converta em intenções de voto. Também não é sangue novo.
Rodrigo Maia, quarenta e sete anos, presidente da Câmara, filiado ao Democratas, ex-PFL, não é renovação, está no quinto mandato de deputado federal.
Henrique Meirelles, setenta e dois anos, economista, presidiu o BC nos governos Lula, ministro da Fazenda no governo Temer, filiado ao MDB, foi o primeiro executivo do Bankboston, conhecido de 48% do eleitorado, teria um presumido capital político pela administração austera na Fazenda Nacional, controlando da inflação e iniciando a recuperação econômica (crescimento da arrecadação tributária e início da recuperação do PIB). Mas os dados mais recentes indicam nova retração da economia e persistentes índices de desemprego.
Guilherme Boulos, 36 anos, militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) há dezesseis anos, candidato pelo PSOL, formado em Filosofia, especialização em Psicologia Clínica e Mestre em Psiquiatria. Não é conhecido da maioria dos brasileiros e sua experiência toda é no MTST, no qual milita desde os dezesseis anos.
Fernando Afonso Collor de Mello, sessenta e oito anos, foi presidente da República, governador de Alagoas, prefeito de Maceió, deputado Federal, Senador, destituído da presidência da República por meio de impeachment, foi objeto de retratação por parte de alguns políticos que votaram pela sua destituição, respondeu a 101 processos, sendo absolvido em todos eles. Responde atualmente a novas ações penais.
Jovens, velhos, veteranos, estreantes, liberais, conservadores, socialistas ambientalistas, todos aqui referidos não conseguiram, até agora, despertar o interesse do eleitorado. A campanha será curta e a maioria deles não terá tempo suficiente na TV para apresentar planos, ideias ou a própria história de vida. Sair da condição de “nanicos” para a condição de candidatos viáveis é altamente improvável para todos eles e outros pequenos não citados aqui. A fragmentação partidária está na origem do fenômeno da multiplicação das candidaturas.
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