
Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br
Os fatos dos últimos dias não deixam dúvidas quanto a configuração do gigantesco palanque em torno de Camilo Santana (PT), mas as articulações de bastidores são pouco conhecidas do público. O processo só começou a ganhar mais força depois do insucesso do movimento para fazer de Dilma Rousseff a candidata ao Senado pelo PT do Ceará.
Articulada por Cid Gomes no dia em que foi decretada a prisão de Lula, a candidatura de Dilma no Ceará naufragou por decisão de Lula, que ainda mantinha esperanças de não ficar preso e ser candidato a presidente. Jogar Dilma no Ceará deixaria um ativo político importante a mercê do grupo político de Ciro Gomes.
O movimento de Cid deixou Eunício Oliveira (MDB) preocupado. Não sobraria vaga na chapa majoritária para sua candidatura ao Senado. No fim das contas, a articulação não vingou e o MDB voltou a ser um parceiro necessário para a coalizão hegemônica no Ceará.
Desde então, ocorreu uma série de conversas envolvendo Cid, Eunício, Camilo e outros parceiros, como o prefeito Roberto Cláudio. Ciro Gomes já havia dado a senha sugerindo que não ia se meter na conversa, muito embora não se obrigasse a posar para fotos numa chapa com o (então) desafeto Eunício. Claro, é preciso manter intacto o discurso nacional de que o MDB é a encarnação de satanás na terra.
Na Assembleia, os deputados governistas (quase a Casa inteira) já lidavam com a certeza de que o MDB passaria a compor a coligação de Camilo. As dúvidas que persistiam diziam respeito tão somente à coligação proporcional. Algo ainda a ser negociado.
A ideia é sufocar a oposição. Não dar espaços. Não abrir chances de surpresas em um quadro político tão instável e com as pesquisas a insistentemente indicarem que nomes novos podem cair na graça popular. Sim, as pesquisas foram os termômetros e barômetros dos movimentos.
Tanto que se tornou necessário também atrair o PSD de Domingos Filho para o campo governista. Nesse ponto, o esforço não precisou ser grande dado o caráter paroquial das demandas. E assim foi feito.







