O PIX nosso de cada dia. Por Davi Azim Filho

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Davi Azim é economista do Corecon. Foto: Divulgação

É incontroverso que a pandemia deteriorou as contas públicas, afetou a renda das empresas e famílias e desacelerou o consumo de bens e serviços. Recuperar a atividade econômica tinha correlação direta com o avanço da vacinação no País. De fato, a intensificação da vacinação proporcionou maior mobilidade às pessoas e elevou o nível da atividade econômica, principalmente no setor de serviços e comércio, reverberando, ainda que timidamente, na geração de empregos.

Vamos direcionar nossos holofotes especificamente para um ramo da atividade do comércio: o varejista. O comércio varejista é um grande gerador de emprego e renda e tem em seu DNA o empreendedorismo. Micro e pequenos negócios produzem movimentação financeira que dinamizam economias locais e servem de arrimo para o desenvolvimento social. Nesse contexto, conseguir manter as relações de consumo, dentro de algum parâmetro de estabilidade, é sem dúvida o maior “gargalo comercial”.

Era necessário inovar, utilizando o que já existe, para reduzir custos, otimizar tempo e facilitar a geração de negócios via simplificação de processos. E nisso, mais uma vez, o Banco Central do Brasil acertou no alvo. A implantação do PIX, como instrumento que desonera e desburocratiza as relações financeiras, seguiu as premissas da lógica da era digital. Essa nova plataforma de pagamento instantâneo, apropriou-se da popularização dos aparelhos celulares, reduziu custos com transferências interbancárias, ampliou o potencial de transações e inseriu novos usuários ao sistema de pagamentos eletrônicos. Ao zerar custos de utilização às pessoas físicas e diminuir o uso da maquininha para cartões, o PIX caiu na graça popular.

Segundo o BACEN, os usuários pagadores de baixa renda, mais que dobraram sua participação com um crescimento de 131% (cento e trinta e um por cento) e cerca de 80% (oitenta por cento) do recebimento de PIX, por pessoas físicas, foram no valor de até 300 reais, o que confirma o perfil viabilizador de pequenas operações comerciais e financeiras.

Estima-se que essa plataforma irá representar 22% (vinte e dois por cento) do total de pagamentos eletrônicos no Brasil até o ano de 2030.O BACEN inteligentemente não só estimulou o acirramento da concorrência bancária, diante das facilidades do PIX, mas também engendrou economia aos cofres públicos por não precisar autorizar a fabricação de mais papel moeda aos agentes econômicos. O processo de emissão e distribuição de moeda física também é mitigado fornecendo a adequada economicidade em tempos difíceis.

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