
Por Ricardo Alcântara, em Post Convidado
Surpreso, vi presidenciáveis de vocação democráticacontestando a presença do candiddato a vice-presidente do PT, Fernando Haddad, nos debates de televisão. Esses encontros, em que os candidatos podem confrontar suas propostas ao vivo, diante dos eleitores e sem a moldura da propaganda, são momentos nobres do processo eleitoral e não se deveria privar os cidadãos da presença de todas as candidaturas com representatividade real, definida em lei.
Os agrupamentos partidários que apóiam o projeto Lulista têm presença marcante no movimento popular e deram sua contribuição para a consolidação do processo democrático. Assim, sua presença no debate fortalece a legitimidade do processo de escolha e a própria soberania popular. Compreendo que, diante das circunstâncias excepcionais da candidatura do PT, em que o cabeça da chapa se encontra preso, se deveria, então, permitir a presença de Haddad porque também ele é membro dessa chapa, elemento de composição da própria candidatura. Se a coligação partidária que apóia a chapa assim decidisse, não caberia a outros questionar sua representatividade. Até porque não fere a lei.
O mais inusitado, no entanto, não é este, mas outro fato: o próprio PT desistiu de pressionar para que seu vice participasse dos debates! Pragmáticos, perceberam que a presença dele, sendo já apontado como substituto certo de Lula como cabeça da chapa, só evidenciaria essa estratégia, antecipando um esvaziamento da presença de Lula na campanha, o que consideram eleitoralmente negativo por fragilizar, possivelmente, sua capacidade de transferência de votos. Dessa vez, os interesses do lulismo e de seus opositores coincidiram. Mas o dos eleitores, não.







