A briga de foice no elevador escuro do PDT do Ceará

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PDT desunido: será que o suplente de senador, Júlio Ventura, “amigo de infância” dos três e de todos os últimos governadores e prefeitos de Fortaleza, consegue colocar o trio na mesma roda de conversa em um rega-bofe social? Melhor nem tentar.

O clima no PDT está pior do que o noticiário sugere. E as notícias já sugerem muito. O racha é o caminho natural naquele que ainda é o maior partido do Ceará.

É Cid Gomes “aconselhando” José Sarto a… digamos… ser prefeito. É o prefeito rebatendo. Há vereadores do partido em Fortaleza atacando frontalmente o senador. Há outro grupo de vereadores montando bancada “independente”. São todos gatos do mesmo saco.

A guerrilha está solta nos perfis anônimos que pululam nas redes sociais. Vejam, por exemplo, um perfil denominado turmaboaceara no Instagram. Nas últimas postagens, bate com gosto em Cid com a mesma desenvoltura com a qual parabeniza o empresário Prisco Bezerra pela passagem do aniversário e felicita o vice Elcio Batista pela filiação ao PSDB (um movimento que tem tudo a ver com o que acontece no PDT).

Está virando briga de foice no elevador fechado e sem iluminação.

Há apenas alguns dias, em conversa com o Focus, o senador tratou como balela as conversas de bastidores acerca de sua possível saída do PDT. “Não tem nada disso. Continuo e continuarei firme no partido que me acolheu”, disse em texto publicado no dia 8 de fevereiro.

Agora, a dinâmica dos acontecimentos se fez valer e o tom do senador já é outro: “Certamente tem gente defendendo que o meu tempo passou, que eu não devo ficar mais (no PDT). Eu vou ficar enquanto eu achar que a minha opinião é ouvida, que a minha opinião é acatada”, disse agora a jornalistas durante sua visita à Assembleia.

Experiente como é, o senador sabe muito bem que uma parte do partido já não o ouve e nem acata sua opinião. Roberto Cláudio não o ouviu quando atropelou para ser o candidato do PDT ao Governo do Ceará. O prefeito Sarto lhe faz ouvidos de mercador e um grupo de vereadores de Fortaleza se dedica a criticá-lo.

Curiosa a notícia de que o deputado federal Eunício Oliveira convidou Cid Gomes para entrar no MDB.  Ora, não passa de provocação. No fundo Eunício não gosta de Cid e Cid não gosta de Eunício. Sabe quando o senador ficará sob as ordens partidárias que emanam de Eunício, o proprietário do MDB no Ceará? Nunca!

Eunício fez a provocação dando tons de solidariedade a Cid por saber que a situação no PDT está ficando insustentável. No momento, não há concertação possível. A gama de interesses não converge.

Os fatos vão se sobrepondo.

Um dos que não subiram no ônibus de RC na campanha para governador, o presidente da Assembleia, Evandro Leitão, nome de proa do PDT, coloca mais lenha na fogueira ao declarar que “em condições normais”, Sarto é candidato à reeleição, mas tudo dependerá de prévia avaliação da qualidade da gestão e de pesquisas.

Para bom entendedor, a meia fala de Leitão diz muito.

É assim mesmo. De tempos em tempos, isso acontece na política do Ceará.

 

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