PDT 2024: A Fortaleza de defesa; Por Ricardo Alcântara

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Cid e Ciro Gomes trocam carinhos fraternos em atos da campanha que reelegeu a chapa Camilo e Izolda, em 2018.

Nem tudo são diferenças no conflito interno do PDT/Ceará. Conflito que, pela profundidade alcançada, atingiu a camada mais profunda das relações familiares, agregando à uma rivalidade conjuntural o valor depreciativo de expor os protagonistas na dimensão privada, onde ninguém está isento de embaraços (toda alcova é um paiol de pólvora).

Sim, em um aspecto, pelo menos, as tendências que seguem as orientações estratégicas de Ciro ou Cid estão de pleno acordo: disputar com nome próprio a eleição para a prefeitura de Fortaleza representa para o PDT uma questão de sobrevivência. A diferença que os separa, no entanto, é grande: uns pretendem disputá-la contra as forças do governo estadual; outros, ao contrário, com suas bênçãos.

A ala de Ciro apoia a tentativa reeleição do atual prefeito José Sarto ou mesmo um providencial remake de Roberto Cláudio (a ver), enquanto os seguidores de Cid pretendem curvar um PT em momento de autoestima eufórica à concessão do posto de candidato na capital ao pedetista Evandro Leitão – uma operação incerta, mas a única que lhe resta.

Ciro e Cid sabem que, uma vez perdido o comando da capital e suas receitas, a rota do PDT entraria em declive inercial, ampliando a capacidade persuasiva (conferida pelas oportunidades que o poder oferece) de Camilo Santana e Elmano de Freitas consolidarem uma hegemonia (duradoura e estável como o termo sugere) no estado do Ceará.

Ciro Gomes não acredita que o PT abrirá mão de uma candidatura própria em Fortaleza. De fato, contraria a vocação do partido. Por sua vez, Cid Gomes não aposta uma banda de tylenol nas possibilidades de uma reeleição do pálido José Sarto e imagina que é melhor se arrumar por ali para não ver suas bases tomadas de assalto da noite para o dia.

Os dois, Ciro e Cid, estão certos: sem o comando da capital, o PDT de ambos – hoje, o maior partido no Ceará – será convocado a exercer um papel coadjuvante enquanto o PT de Camilo e Elmano acumular o comando federal e estadual. Nota de pé de página: Elmano atribui a Camilo o papel de comando estratégico. E o apetite deste exala saúde e disposição.

*Ricardo Alcântara, escritor e publicitário, é colaborador de Focus.jor.

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