O PSB renasce no Ceará. Por Ricardo Alcântara

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Ricardo Alcântara é publicitário, escritor e colaborador do Focus. Foto: Divulgação

Somente uma intervenção do Sobrenatural de Almeida poderá impedir a filiação do senador Cid Gomes e quase a totalidade de seu grupo de prefeitos ao Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Regente do acordo, o vice-presidente Geraldo Alkmin – ele mesmo um noviço no partido – usou de sua larga experiência em gerir conflitos e conseguiu remover o obstáculo final, a questão de Recife com o PDT (queriam apoiar lá em troca de apoio aqui, mas o mar não quis secar).

O PSB do Ceará será um concerto de conciliação entre os interesses políticos da liderança de Cid Gomes com os mesmos interesses do ministro Camilo Santana. É, como se diz no popular, a volta dos que não foram. A aliança entre eles, nunca arranhada, se consolida agora sob a legenda.

A diferença, no caso, é que, para Cid, o PSB será sua própria casa, enquanto para Camilo a sigla servirá como uma espécie de sublegenda onde ele, a maior liderança do Ceará de hoje, abriga prefeitos, aliados seus que não podem, por conta de questões locais sobretudo, se filiar ao PT, partido de Camilo.

O amálgama dessa aliança se expressa no apoio comum aos governos de Lula e Elmano de Freitas e o ourives desse delicado artefato é o ex-deputado Eudoro Santana, pai de Camilo, que já dava as cartas no PSB no tempo em que seu filho ainda aprendia a calçar os sapatos.

Com esse concerto político, é criado um polo autônomo na centro esquerda do Ceará em relação à predominância do PT, que capitaneia os governos federal e estadual e se articula para tentar a titularidade também na capital. Ao compor a sigla, ainda que indiretamente, Camilo se autonomiza mais ainda: o PSB marcha em 2024 para superar a marca de 50 prefeitos, eleitos e reeleitos. E Cid encontra uma boa oportunidade de recuperar maior relevância na cena política estadual.

Em Fortaleza, a tendência mais desejada no partido é vir a apoiar o candidato indicado pelo PT à prefeitura, reproduzindo na capital a acumulação de forças que garantiu ao governador Elmano sua surpreendente vitória ainda no primeiro turno de 2022.

Mas não desprezem – a depender do que acontecer por lá – a possibilidade de que o PSB venha a oferecer ao eleitor de Fortaleza a alternativa de uma candidatura própria – hipótese remota, mas não descartável. O fato é que já se está dando brilho às taças para o brinde de celebração do desembarque de Cid, sem data marcada ainda. 2024 vai ser animado.

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