A obsolescência dos exercitos; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

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A “web”, campo dos passos perdidos a que chamamos de Internet, por onde proliferam as “redes sociais”, é o novo cenário de guerra, o teatro de operações das ações bélicas mais destruidoras. Transformadoras, assim diriam os novos profetas.

As hordas da infantaria e dos cavaleiros montados vão-se perder nos registros finitos da segunda grande guerra e nessas escaramuças ideológicas e econômicas que explodem aqui ali, mundo a fora.

A “guerra” da Ucrânia, como essas batalhas empoeiradas da Faixa de Gaza, envolvendo os filhos eleitos de dois deuses ranzinzas, definitivamente saíram de moda. O Azbedhan e o Iraque mostraram a russos e americanos como as guerras terra-mar-e-ar são precárias em resultados práticos.

Nunca entidades divinas engendradas pela imaginação dos homens (as mulheres não contavam, naqueles tempos, para esses impulsos de engenharia da fé…) mostraram-se tão engajadas como nesses feitos monoteístas que pretendem obsequiosamente controlar o mundo.

O cristianismo, o islamismo e o marxismo transformaram-se, como regras para a Salvação, nos elementos de crença e aceitação, nos mais poderosos exércitos sobre a face da terra.

As armas de fogo foram substituídas, ao longo do tempo, pelo dircurso. A estratégia dominante são atualmente as palavras, as intenções dissimuladas, a dialética e as metáforas.

Os generais carregados de medalhas e de inflexível postura castrense cederam lugar aos ativistas, aos pensadores sociais e aos “hackers”, combatentes audaciosos pela verdade absoluta da Revelações anunciadas.

Os aplicativos substituíram os mísseis, um “download”, comandado de uma bancada de computadores, é mais temido do que uma bateria anti-aérea. Os dedos ágeis desses novos guerreiros deletam com precisão os alvos mais temidos. Sem cheiro de pólvora, livres de remorço e ressentimentos.

Lenin, Trotsky e Gramsci tomaram, nos registros penitentes da História, o lugar de Aníbal, de Alexandre e do General Patton. Paulo Freyre, no Brasil, levou Caxias e Tamandaré ao esquecimento. Zé Dirceu desenha os novos assaltos ideológicos e os escribas falantes da mídia reconstroem, dia a dia, uma nova realidade. A vitória é assegurada pelas novas estratégias e táticas de luta, sem poeira e sem mortes— por convencimento dialético.

O povo já não é sequer uma figura substantiva, a semântica transformou-o em uma metáfora usada nos discursos dos ditadores e dos defensores da democracia “relativa”, instrumento do qual nos servimos nestes precários exercícios de cidadania que nos são permitidos. .

Os drones serão, em breve, de pouca valia. A diplomacia tende a desaparecer, em seu lugar serão distinguidos os publicitários, os aprovisionadores de opinião. A ficção política substituirá o árduo trabalho dos estados-maiores e das instituições do Estado, dando nascimento a uma nova categoria de engenheiros sociais — os reconstrutoras das desconstruções por eles próprios realizadas.

Das eleições, se ainda forem necessárias, conquanto ultrapassadas como mecanismo primitivo de escolha de governantes, uma nova arquitetura de governo poderá emprestar-lhes maior eficiência com a eliminação do voto e a aposentadoria dos eleitores.

Alcançamos a recompensa trazida por uma sociedade política ideal, de baixo custo operacional e eficiente. O prêmio esperado por tamanhas, provavelmente equivocadas, perdas democráticas…

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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