André e o apoio do “sistema”; Por Emanuel Freitas

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Parte considerável do primeiro
turno se deu com o candidato do PL, André Fernandes, a dizer a seu eleitor que ele era o candidato “contra o sistema”. Em uma das peças publicitárias mais utilizadas em seu HGPE víamos o candidato montando as peças de um esquema em que se viam imagens de Sarto/Roberto Cláudio/Ciro/PDT, Evandro/Camilo/Elmano/PT e até mesmo de Wagner, que teria relações com o “sistema”; a conclusão era taxativa: TODOS ERAM ADVERSÁRIOS DE ANDRÉ!

O vídeo iniciava-se com uma pergunta: “nesta eleição, quem são meus adversários?” E a resposta era esta que você leu acima. Um “sistema” todo montado para derrotar André. Do PT ao PDT, passando pelo União Brasil.

Esquerda e direita unidas contra o jovem “improvável”: era essa a narrativa.

Uma versão municipal do populismo clássico, utilizando-se da retórica do “eles contra mim”, tão cara aos populistas. Nenhuma novidade, uma vez que a campanha tem como mestre Pablo Nobel, que atuou na vitoriosa campanha de Javier Millei, o populista argentino.

Tudo isso era personificado por André, em debates e entrevistas, por meio da expressão “o grupo que está aí há 30 anos no poder”. Ora, falar em 30 anos significa fazer menção aos prefeitos que passaram pelo Paço Municipal desde 1994, ou seja: Cambraia, Juraci, Luizianne, Roberto Cláudio e Sarto! Mas, eis que o candidato do PL, mesmo falando em derrotar os que governam “há 30 anos”, mirava como exemplo Juraci Magalhães! Não ouve quem o alertasse!

Agora, chegado o segundo turno, André continua a reproduzir a retórica do candidato anti-sistema opondo-se a Evandro, o “candidato dos poderosos”. Nada mais enganoso: o poder político e parte considerável do econômico (o tal “setor produtivo”) está em campanha, inclusive de rua, por André. Vereadores eleitos, deputados estaduais, presidentes partidários, industriais e empresários, líderes religiosos e até representantes do “sistema” e dos “poderosos que governam há trinta anos” estão fechados com André.

Portanto, André disputa este segundo turno com o “sistema”, que disse trabalhar contra ele. Wagner, inclusive, agora opera a favor do segundo turno que ele dizia ser do “desejo do sistema”.

Resta saber se a campanha de Evandro saberá fazer a denúncia da tão rápida conversão de André ao tal “sistema” que ele disse combater. Nada mais velho do que o discurso antissistema. André segue, ipsis litteris, os passos de seu mito.

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