Guerra e paz, Clausewitz; Por Paulo Elpídio

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“Se a tolerância nasce da dúvida, que nos ensinem a duvidar”,
Raymond Aron

A democracia como a monarquia, assim as ditaduras, o populismo e as ideologias, no varejo e no atacado, trazem presos ao pescoço a mediocridade dos governantes.

O autoritarismo e o arbítrio não se manifestam a não ser pela força. A diplomacia é a guerra conduzida por outros meios civilizados. Clausewitz pontuou a passagem da barbárie das turbas guerreiras pela negociação. Não que a humanidade se tenha convertido, de vez, ao bom senso do entendimento sobre reclamações e propósitos de conquista.

A peleja de desaforos e destemperos éticos entre dois chefes de Estado, a que o mundo assiste emudecido, demonstra do que fomos capazes em um passado recente e do que continuamos capazes sob o manto desse álibi protetor a que chamamos hipocritamente de democracia.

Dois populistas, cada um deles a seu modo e segundo os seus impulsos e duvidosos escrúpulos. Trump, egresso de West Point, Lula do sindicalismo paulista, deram-se para defrontar-se por conta própria, pelas redes sociais por motivações particulares, as mesmas que mistificam e combatem em defesa da democracia. Um, nascido na riqueza que não lhe trouxe modos nem condimento; o outro, a quem a pobreza não beneficiou com a humildade e a necessidade do trabalho para sobreviver. Ambos prontos a entrar numa rinha, a bicadas semânticas.

A vaidade vazia, misturada aos caprichos de um longo processo de auto-vitimização, fez de um dos contendores o porta-voz dos desvalidos da sorte. Pelo outro, falam os rompantes e a arrogância de quem não tem o hábito de tratar com interlocutores pelas vias normais do entendimento.

No mais das contas, metemo-nos numa “camisa de onde-varas” (sem alusões a pessoas, coisas ou intenções) da qual sairemos com dificuldade, com o nosso “incrível exército de Brancaleone” [ver o filme: L’Armata Brancaleone”, de Mário Monicelli, 1966]

Haja bom senso.

Referência:

Raymond Aron, “Penser la Guerre, Clausewitz”, Gallimard, Paris, 1966

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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