
O relator da proposta de anistia, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), anunciou que o texto passará a ser chamado de PL da Dosimetria das Penas. A mudança foi costurada em jantar na casa do ex-presidente Michel Temer, em São Paulo, com a presença de Aécio Neves (PSDB-MG) e, virtualmente, do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ministros do STF também foram ouvidos.
Por que importa
➡️ Adequação à realidade: a anistia ampla foi considerada inviável após resistência explícita de ministros do Supremo. A nova estratégia busca reduzir penas de condenados pelo 8 de Janeiro, inclusive do núcleo político que planejou os atos, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.
➡️ Saída pelo centro: a reconfiguração do projeto nasce de uma articulação do centro político — Temer, Aécio e Paulinho — que tenta escapar da polarização que marcou o debate. É uma jogada inteligente: abandona a retórica da anistia, vista como inconstitucional, e aposta em uma solução institucionalmente aceitável.
➡️ Clima de pacificação: Temer enfatizou a urgência de resolver o impasse para liberar a pauta econômica, com destaque para a reforma do Imposto de Renda, medidas de emprego e segurança.
Vá mais fundo
O movimento de rebatizar e reconfigurar a proposta traduz o pragmatismo típico do centro político brasileiro: ajustar a forma sem abandonar o objetivo. A “dosimetria” permite reduzir tensões com o STF, oferecer uma saída jurídica para aliados de Bolsonaro e, ao mesmo tempo, evitar que a Câmara pareça capitular a uma anistia inconstitucional.
👉 Em resumo: o centro demonstrou inteligência política ao transformar um impasse em solução negociável, buscando pacificação sem romper com os limites constitucionais.







