
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, recebeu nesta sexta-feira (10) o Prêmio Nobel da Paz de 2025, reconhecida como “campeã brava e comprometida da paz” por manter a chama democrática acesa em meio ao autoritarismo chavista.
💥 A escolha, anunciada em Oslo por Jørgen Watne Frydnes, ocorre sob uma tensão sem precedentes. Como revelou o The Guardian, políticos noruegueses se prepararam para “possíveis repercussões nas relações EUA–Noruega” depois que Donald Trump pressionou publicamente — e até por telefone — para receber o prêmio.
⚠️ O temor é explícito. Kirsti Bergstø, líder socialista no Parlamento, alertou que “temos que estar preparados para qualquer coisa”, descrevendo Trump como um presidente que “ataca a liberdade de expressão, reprime instituições e sequestra pessoas em plena luz do dia”.
📞 Em julho, Trump chegou a ligar para Jens Stoltenberg, ministro das Finanças da Noruega e ex-chefe da Otan, para perguntar sobre a premiação. No mês passado, na ONU, afirmou falsamente ter encerrado “sete guerras infinitas” e repetiu que “todos dizem que deveria receber o Nobel”. A decisão do comitê foi tomada antes mesmo do cessar-fogo em Gaza costurado por ele, o que reforçou as previsões de que não seria contemplado.
🗣️ Para Arild Hermstad, líder do Partido Verde, a independência do comitê é justamente o que dá credibilidade ao Nobel: “Prêmios de paz são conquistados com compromisso sustentado, não com intimidação. Uma contribuição tardia não apaga anos de violência e divisão.”
Entre 338 indicados — 244 pessoas e 94 organizações —, Machado se junta a nomes como Nelson Mandela e Liu Xiaobo na galeria dos que desafiaram regimes autoritários. Mas a edição de 2025 ficará marcada também pelo medo de retaliações americanas — um lembrete de que até a paz pode ser contaminada pela geopolítica.







