A guinada de Ciro à direita rende dividendos jurídicos: seis processos a menos

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A guinada de Ciro Gomes (PSDB) para o campo da direita, em curso desde o segundo turno das eleições para prefeito de Fortaleza em 2024, começa a gerar efeitos concretos. Pelo menos no campo jurídico. Nos últimos 30 dias, o ex-ministro se livrou de seis processos judiciais movidos por dois de seus antigos adversários — o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o presidente do União Brasil no Ceará, Capitão Wagner.

Há um mês, em entrevista à Jovem Pan, Valdemar anunciou que decidiu encerrar três ações contra Ciro, a quem chamou de “o único jeito de derrubar o PT no Ceará”. Mesmo após anos de ataques do pedetista — que já o acusara de corrupção e de ser parte do “sistema viciado” —, o dirigente do PL afirmou: “Esquece, porque o Ciro mete o pau até na sombra.”

Já o Capitão Wagner, na sequência dos elogios de Ciro durante a filiação de Roberto Cláudio ao União Brasil, comunicou a desistência de outras três ações. O tucano havia elogiado o ex-adversário publicamente, dizendo que seus ataques de outrora foram fruto de “solidariedade cega” ao irmão Cid Gomes (PSB). Wagner respondeu no mesmo tom: “Em nenhum momento imaginei que o Ciro fosse ter a humildade de reconhecer que errou comigo, como eu também errei com ele.”

Os gestos de Valdemar e Wagner consolidam o movimento de recomposição política em torno de Ciro, que agora atua em sintonia com lideranças de direita e se afasta do campo progressista que o sustentou por décadas.

Vá mais fundo:

Os seis processos retirados significa uma pequena trégua diante de um histórico pesado. Na lista dos que já o processaram por ofensas estão Collor, FHC, Temer, Bolsonaro, José Serra, Eunício Oliveira, Damares Alves, Ricardo Salles, Eduardo Cunha, João Doria e o próprio Valdemar. Só na Justiça de São Paulo, há 13 ações, nove delas abertas desde 2018.

Ciro venceu algumas — como as de Salles, Cunha e Doria —, mas acumula condenações que, somadas e corrigidas, ultrapassam R$ 1 milhão, incluindo a perda de um imóvel em disputa com Eunício (Folha de S.Paulo, em 2023). A conta nem considera novos processos, como o movido pela prefeita de Crateús, Janaína Farias.

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