A dramaturgia do convencimento; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

COMPARTILHE A NOTÍCIA

“Sem povo, não há democracia. Sem democracia, não há povo”, sem autor por direito adquirido

“Democracia é a forma de governo em que o povo imagina estar no poder”, Carlos Drummond de Andrade

Não é a ameaça ou a segurança que a esquerda ou a direita inspiram nestes jogos de poder que assustam ou tranquilizam os cidadãos e as cidadãs em um estado provisório de democracia. É a dúvida quanto aos mecanismos e instrumentos de governabilidade que uma ou outra usará no cerco ao território do Estado.

O fascismo, tanto quanto o comunismo, são filhotes de uma mesma ninhada. Trazem na sua estrutura genético-ideológica os genes e uma sequência de informações para a reprodução das ideias e dos indivíduos.

O DNA da índole totalitária, a ser despertada a seu tempo, toma forma nos vazios dessa construção, reconhecidamente complicada. Praticam o culto da Nação e do Estado, seguem disciplinadamente as regras a que recorrem nesta dramaturgia da Autoridade mitificada, infundem os rasgos de uma consciência, fruto de um cuidadoso “imperativo categórico”. Navegam nas águas turvas da “insegurança política” e produzem o aparato normativo que as tornam “legais” e, por serem assim — legítimas.

Em linguagem comezinha, vulgar, “esquerda” e “direita” apresentam-se como o cerco a Troia. Distinguem-se pelo particularismo da estratégia, porém igualam-se pela tática lesta da “blitzkrieg” do assalto aos poderes do Estado.

No passado recente, ao fim da I Guerra [terá terminado a tempo para o inicio da II Grande Guerra?], esquerda e direita recorreram às armas e às trincheiras, ao “holodomor” do trágico das reformas de uma “dramaturgia de sangue” e ao genocídio para a conquista do poder.

Mao e Gramsci puderam demonstrar, na teoria e na prática, que o poder do Estado come-se-o pelas beiradas, sem sangue, com a engenhosidade das artes do convencimento, da dialética e de um punhado de utopias fora de uso.

Talvez seja este o modelo em gestação para uma “guerrilha democrática”, tal como pareceu, numa das ultimas performances de uma “live” encenada por estes dias, em Brasília, a um “senhor dos anéis” das nossas pobres esperanças… Nesta saga brasiliense, assoma a figura do guerreiro para evitar que o “anel do poder” retorne às mãos de Sauron, o “Senhor sombrio” de uma incrível mitologia do Poder.

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Café da Serra de Baturité recebe selo nacional de Indicação de Procedência

Freio de arrumação no governismo do Ceará: ambições e a difícil engenharia da chapa de 2026

MP dos datacenters caduca e ameaça planos no Ceará, incluindo planos do projeto de R$ 200 bi no Pecém

Camilo, a missão, o ruído e o desconforto de Elmano

TikTok e Omnia contestam laudo do MPF sobre Datacenter de R$ 200 no Pecém

Do jeito que vai, eleição presidencial vai ser decidida pelo eleitor “nem-nem”

A política de segurança, a lógica do crime e os gigolôs da violência

PPP do Esgoto no Ceará: R$ 7 bilhões para universalizar saneamento em 127 cidades

Genial/Quaest: Lula segue com desaprovação maior que aprovação e perde fôlego entre independentes

Lula lidera, mas Flávio encosta e vira principal rival, aponta Genial/Quaest; Polarização se mantém

Jogo aberto: PT acena ao centrão em movimento que mira a disputa do Ceará

Sánchez e a coragem de dizer o impopular; Veja instigante artigo do líder espanhol em defesa moral e econômica dos imigrantes

MAIS LIDAS DO DIA

Relator da CPI diz que caso Master revela infiltração do crime no Estado

Café da Serra de Baturité recebe selo nacional de Indicação de Procedência

Apostas bilionárias e suspeitas antecipam ataque dos EUA ao Irã

Aldigueri entrega Título de Cidadão Cearense a Cristiano Zanin, em Brasília

Bolão do Ceará leva Mega-Sena e leva prêmio de R$ 158 milhões

Dono do Banco Master é preso novamente por ordem de ministro do STF

STJ anula dívida hospitalar assinada por filha após morte do pai

Entidades empresariais querem adiar votação do fim da escala 6×1 para depois da eleição