
Reportagem do O Globo (veja aqui) sobre a saída em massa de ministros para disputar as eleições de 2026 inclui Camilo Santana no grupo que tende a deixar o governo ainda em 2025. No caso do titular da Educação, a motivação não é apenas formal — cumprir o prazo legal de desincompatibilização —, mas eminentemente política e regional.
Segundo o jornal, Camilo pode deixar o MEC para tentar voltar ao governo do Ceará, movimento associado diretamente à ameaça representada pela pré-candidatura de Ciro Gomes ao projeto de reeleição do governador Elmano de Freitas. A avaliação registrada na matéria é objetiva: Camilo é visto como mais competitivo eleitoralmente do que o atual governador diante de um cenário polarizado com Ciro na oposição.
Essa hipótese reforça uma tese que circula há meses nos bastidores da política cearense. Ao sair do ministério, Camilo preserva-se juridicamente para disputar o governo estadual e passa a funcionar como plano alternativo do campo governista. Ao mesmo tempo, sua simples disponibilidade eleitoral produz um efeito político imediato: desestimula a candidatura de Ciro Gomes, dado o peso eleitoral, a capilaridade e o histórico recente de vitórias de Camilo no Ceará.
O movimento, portanto, cumpre dupla função. De um lado, mantém aberta uma alternativa robusta para o grupo governista, caso a reeleição de Elmano se torne excessivamente arriscada. De outro, atua como fator de contenção da oposição, ao elevar o custo político de uma candidatura de Ciro num confronto direto com Camilo.
A eventual saída do ministro da Educação se insere, assim, na lógica mais ampla descrita por O Globo: Lula aceita — e até organiza — a debandada de ministros com densidade eleitoral, apostando na promoção de secretários-executivos para preservar a continuidade administrativa. No caso de Camilo, porém, o impacto extrapola Brasília e incide diretamente sobre o tabuleiro político do Ceará, onde sua decisão tende a reordenar estratégias antes mesmo do início formal da campanha.







