
Por que importa: a expiração da patente da semaglutida (Ozempi e Wegovy) em março abre um dos mercados mais lucrativos da indústria farmacêutica brasileira. Tanto que já se apresentaram 13 fabricantes nacionais e estrangeiros na fila da Anvisa para lançar canetas emagrecedoras concorrentes. A informação foi originalmente publicada pelo jornal Valor.
O que está acontecendo:
A proteção legal que blindava Ozempic e Wegovy cai nas próximas semanas. Laboratórios nacionais e estrangeiros já protocolaram pedidos de registro para versões próprias do medicamento, antecipando uma corrida comercial por um público que cresce ano após ano.
O tamanho do jogo:
O Brasil é hoje um dos maiores mercados potenciais do mundo para remédios antiobesidade. Mais de 25% da população adulta é obesa, e milhões de pessoas já demonstraram disposição de pagar caro por terapias que prometem controle do apetite e perda de peso sustentada.
O que muda agora:
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Mais oferta → entrada de genéricos e biossimilares.
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Pressão sobre preços → queda gradual do custo mensal do tratamento.
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Acesso ampliado → saída do nicho de alta renda para a classe média.
O risco:
Sem um desenho regulatório rigoroso, o país pode trocar um monopólio internacional por poucos oligopólios locais — mantendo preços artificialmente elevados.
O pano de fundo:
A semaglutida transformou a obesidade em um mercado de uso contínuo, comparável a hipertensão ou colesterol alto. Não se vende apenas um remédio, mas um modelo de dependência farmacológica de longo prazo.
Para observar:
A velocidade da Anvisa em aprovar (ou travar) os novos registros vai definir se o Brasil terá competição real — ou apenas uma mudança de logotipo nas mesmas canetas caras.






