
[Afinal, quem manda na Universidade pública?]
Paulo Elpidio de Menezes Neto
As fontes de financiamento da Universidade constituem, até hoje, a pedra angular do princípio da sua Autonomia.
Os países de economia “fechada” não enfrentam este problema, graças à sua criatividade para inventar um Estado “democrático” forte. Afinal, de tudo se ocupa o Estado, do funcionamento do sistema de ensino aos princípios da liberdade acadêmica.
Nos paises de economia “aberta”, capitalistas como são apontados pejorativamente, a sustentação financeira da Universidade entra em conflito com a sua liberdade, como instituição geradora de conhecimento na sua função critica e educativa.
Quem manda, afinal, na universidade? O Estado, os professores, os alunos, a mídia ou a sociedade? Quem custeia, manda? Como fugir à pergunta incontornável: ideias, atitudes críticas, a construção e o compartilhamento do Conhecimento são monopólio de quem paga, custeia e mantém financeiranente o empreendimento ? Ou de quem com ele se envolve? Dos que nele se engajaram?
Em episódio que enriquece a saga dos Ferreiras Gomes, o governador Cid Gomes em confronto verbal com reitores cearenses, não fez grandes descobertas [“quer dizer que eu pago e vocês gastam?”], repetiu gesto muito ao gosto da autoridade provedora. Não que tenha cometido uma bravata no confronto conhecido, estes meninos Ferreira Gomes são corajosos e impulsivos, ruidosos e dialéticos como em toda família numerosa. Vamos combinar, deram cor e sustos às velhas oligarquias: modernizaram os hábitos locais da governabilidade…
Dois episódios divertidos ilustram essa situação ambígua de “quem come do meu feijão, sente o meu cinturão”. Não resisti à compulsão de recordá-los.
Padro Calmon, reitor da Universidade do Brasil, chega com atraso para um ato religioso na igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. O ministro da Educação, Clóvis Salgado, chegara antes, aperta a mão de Calmon, que a mantinha estirada, e indaga: “como vai a Universidade, reitor?” A resposta risonha e irônica não se fez esperar: “Assim como vê Vossa Excelência, com a mão estendida, na porta da Igreja”…
De outra feita, quando Edson Queiroz, chanceler da UNIFOR, exonera o reitor, Antero Coelho Neto, por adiadas incompatibilidades de humor e de personalidade, deu-lhe de explicar o gesto extremo: “Ele queria até a caneta e o talão de cheques, queria mandar na minha Universidade”…
A pecúnia, a liberdade e o mando: as fontes legítimas do poder da Universidade” poderia ser o título desta postagem…







