CNJ lança cartilha sobre entrega voluntária para adoção 

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Informação, dignidade e proteção integral

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou, nesta terça-feira (27), a cartilha “Entrega Voluntária para Adoção”, com orientações sobre o processo de entrega de crianças para adoção logo após o nascimento. O lançamento ocorreu em cerimônia remota e integra as ações do Judiciário para ampliar o acesso à informação e garantir direitos fundamentais.

O presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, destacou que o material tem como objetivo assegurar informação clara e apoio integral a mulheres em situação de vulnerabilidade. Segundo ele, a entrega voluntária não configura abandono e deve ser realizada com respeito à dignidade humana, garantindo sigilo, atendimento sem julgamentos, assistência jurídica gratuita e acompanhamento psicossocial.

“O CNJ seguirá atuando para qualificar as respostas do sistema de Justiça e fortalecer políticas públicas voltadas à primeira infância”, afirmou Fachin, ao convidar magistrados, profissionais da rede de proteção e a sociedade a divulgarem a cartilha como instrumento de orientação e cuidado.

Dados e pesquisas revelam desafios

Durante o lançamento, foram apresentados resultados de pesquisas acadêmicas sobre o tema. Na palestra “O direito de não ser mãe”, a diretora de Projetos do Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ, Isabely Mota, apontou que ainda há mais crianças entregues fora do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) do que por meio dele.

Entre as causas da chamada “adoção informal”, destacam-se o desejo da mãe de manter algum vínculo com a criança e fatores como dificuldades socioeconômicas, ausência de rede de apoio, múltiplos filhos, gravidez não desejada, estupro, abandono paterno e situações de violência.

Pesquisa apresentada pela advogada e psicóloga Gisele Castanheira dos Santos, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), evidenciou o impacto emocional da decisão e falhas no acolhimento institucional. Segundo o estudo, muitas mulheres relatam constrangimentos e pressões para desistir da entrega, o que reforça a necessidade de atuação técnica, humanizada e integrada.

Direito garantido pelo ECA e regulamentação do CNJ

A entrega voluntária é um direito previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e regulamentado pela Resolução CNJ nº 485/2023. A norma assegura que o procedimento seja consciente, seguro, sigiloso e acompanhado pelo Judiciário, sem caracterização de abandono ou crime.

O desejo de entrega pode ser manifestado durante a gestação ou após o nascimento, em unidades de saúde, CRAS, CREAS, Conselho Tutelar, Defensoria Pública, Ministério Público ou na Vara da Infância e Juventude.

Após a manifestação, a mulher é acolhida por equipe técnica, que garante orientações, sigilo e avaliação de alternativas de apoio. A legislação prevê prazo de dez dias para arrependimento e, confirmada a decisão, a criança é cadastrada no SNA e encaminhada a família habilitada, garantindo legalidade e proteção aos envolvidos.

Instrumento de orientação e cuidado

Voltada a gestantes, parturientes e profissionais da rede de proteção, a cartilha reúne informações sobre direitos, procedimentos legais, alternativas disponíveis e cuidados necessários para assegurar a proteção integral da mulher e da criança.

Ao fortalecer a informação e a atuação institucional, o CNJ reafirma o compromisso com a proteção da infância e com políticas públicas baseadas em humanidade, responsabilidade e garantia de direitos.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

M. Dias Branco cresce em volume e fecha semestre com lucro de R$ 275 milhões

Pesquisa Focus Poder/Atlas: Lula é a maior força eleitoral do Ceará; Veja tudo

Pesquisa Focus Poder + Atlasintel para o Senado: diagnóstico em 13 pontos

Guimarães foi o protagonista da articulação que levou Luizianne à compor chapa governista

Ceará consolida elite da educação brasileira no Ideb; Brasil segue sem atingir metas do ensino médio

TRE rejeita tese do relator e mantém Federação União Progressista na chapa de Ciro Gomes

Quaest abre vantagem para Ciro, mas a campanha ainda reserva muitas variáveis

Emandas bilionárias e outros privilégios deve baixar índice de renovação de mandatos federais

Selo do TSE divide institutos; AtlasIntel apoia iniciativa e acende debate sobre precisão das pesquisas

Aval de Lula consolida Cid Gomes como candidato ao Senado e aproxima definição da chapa governista no Ceará

O Duplo Twist Carpado de Mauro Filho

Obtuário: Cid Carvalho, uma voz que atravessou gerações da comunicação e da política cearense

MAIS LIDAS DO DIA

Um dia, em Lisboa; Por Angela Barros Leal

Ciro Gomes lidera disputa pelo Governo do Ceará com 43%, aponta Ipec

Agropecuária do Ceará cresce abaixo da média nacional entre 2010 e 2023, aponta levantamento

BNDES libera R$ 75,6 bilhões em crédito no primeiro semestre, maior valor desde 2015

ABI apoia retomada da exigência de diploma de Jornalismo para exercício profissional

Justiça suspende resolução que reconhece harmonização orofacial como especialidade odontológica

Lições bem aviadas de lógica e estratégia política; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

Buick pode ser a próxima marca premium a ser montada na planta de Horizonte, no Ceará