
Cenário geral: Depois de encerrar 2025 acima de R$ 8,6 trilhões, em nível recorde, a Dívida Pública Federal (DPF) deverá alcançar, ao fim de 2026, um montante entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões. A projeção foi divulgada nesta quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional, durante a apresentação do Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública para este ano.
O documento estabelece metas para a gestão da dívida em 2026 e mantém a estratégia adotada no ano anterior: reduzir a participação dos títulos prefixados e ampliar o espaço para papéis atrelados à taxa Selic. A medida busca aumentar a atratividade desses títulos para investidores, em um cenário em que os juros básicos estão no maior patamar em quase dois anos.
Revisões anteriores: Inicialmente, o PAF previa que a DPF encerraria 2025 entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões. Em setembro, porém, o plano foi revisado, elevando a estimativa para um intervalo entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões, patamar que acabou sendo superado.
Composição da dívida: Segundo o Tesouro, a Dívida Pública Federal deverá encerrar 2026 com a seguinte distribuição:
– Títulos vinculados à Selic: entre 46% e 50% (atualmente em 48,3%);
– Títulos corrigidos pela inflação: entre 23% e 27% (atualmente em 25,9%);
– Títulos prefixados: entre 21% e 25% (atualmente em 22%);
– Títulos vinculados ao câmbio: entre 3% e 7% (atualmente em 3,8%).
Os dados não consideram as operações de compra e venda de dólares no mercado futuro realizadas pelo Banco Central.
Risco: Os títulos corrigidos por taxas flutuantes, como a Selic, elevam o risco da dívida pública, já que o endividamento cresce automaticamente quando os juros básicos sobem. Por outro lado, os papéis prefixados oferecem maior previsibilidade, pois têm juros definidos no momento da emissão. No entanto, costumam apresentar taxas mais elevadas e podem aumentar o custo da dívida em períodos de instabilidade econômica.
O PAF também abriu margem para ajustes no prazo médio da DPF. Após encerrar 2025 em quatro anos, a estimativa é que o prazo fique entre 3,8 e 4,2 anos ao final de 2026. Já a parcela da dívida que vence nos próximos 12 meses deverá ficar entre 18% e 22%, acima do nível atual de 17,5%.
Mecanismos de segurança: De acordo com o Tesouro Nacional, o governo dispõe de dois instrumentos para garantir o financiamento em caso de crise. O primeiro são as reservas internacionais, suficientes para quitar os vencimentos da dívida externa em 2026, que somam R$ 33,3 bilhões. O segundo é um colchão de liquidez de R$ 1,187 trilhão, capaz de cobrir cerca de 7,33 meses dos vencimentos da dívida interna.
Funcionamento da dívida: Por meio da dívida pública, o Tesouro Nacional emite títulos e capta recursos junto aos investidores para honrar compromissos do governo. Em troca, compromete-se a devolver os valores com correção, que pode ser atrelada à Selic, à inflação, ao câmbio ou definida de forma prefixada.







