Caminho para os 72 anos e cultivo um desejo simples. Que a jornada ainda seja longa, desde que acompanhada de lucidez, saúde suficiente e a possibilidade de continuar produtivo. A consciência desperta e a mente ativa já me parecem um grande presente da vida.
Esse pensamento me visita quando observo as crianças que estão chegando ao mundo agora ou aquelas nos primeiros anos da existência. Fico imaginando que tipo de ser humano surgirá desse tempo novo. As transformações das últimas décadas foram profundas e rápidas.
Tecnologia, comunicação, novas formas de trabalho, de convivência e até de solidão reorganizam o modo como o ser humano pensa e se relaciona.
Do ponto de vista da psicanálise, sabemos que a estrutura fundamental da vida psíquica não muda na mesma velocidade das invenções humanas. O inconsciente continua sendo esse território onde desejos, conflitos e memórias encontram abrigo fora da vigilância da consciência. As pulsões permanecem, assim como os mecanismos de defesa e a tentativa de dar sentido à existência.
A Neurociências acrescenta outra dimensão fascinante. O cérebro humano permanece em transformação contínua. A plasticidade neural mostra que nossas experiências reorganizam caminhos internos e influenciam como percebemos o mundo.
Quando essas duas perspectivas se encontram, surge uma pergunta inevitável. Que tipo de mente está sendo formada neste novo ambiente humano ?
As crianças de hoje crescem cercadas por estímulos constantes, telas luminosas e informações rápidas. A mente se adapta a esse ritmo. A atenção se fragmenta, mas também surgem novas formas de inteligência.
Minha trajetória também se ampliou com o tempo. Minha formação inicial esteve ligada à engenharia, com atuação na construção civil e telecomunicações. Depois vieram programas executivos na Fundação Dom Cabral, formação em Marketing, a pós-graduação em Psicanálise na PUC e o interesse pela Neurociências, além de certificações em gestão, análise de dados, negócios e inovação em instituições como INSPER, Cambridge e Wharton. Atlanta, Georgia, tem significado especial.
Não menciono essas passagens como currículo, mas como sinais de inquietação intelectual que nunca me abandonou. Aprender sempre me pareceu uma forma elegante de permanecer vivo.
Nos últimos anos, outra dimensão ganhou espaço dentro de mim. A espiritualidade. Tenho encontrado inspiração na Espiritualidade Franciscana, que recorda algo essencial: a vida não se mede apenas por riquezas, conquistas ou títulos, mas também pela simplicidade, pelo respeito à criação e pelo cuidado com o próximo.
Talvez o verdadeiro desafio do nosso tempo não seja apenas conviver com máquinas cada vez mais inteligentes. O desafio é preservar aquilo que nos mantém humanos.
No fundo, continuo acreditando que a grande tarefa das novas gerações será antiga. Aprender a conviver, aprender a cuidar e aprender a permanecer humano. Ciência ilumina, experiência amadurece e a espiritualidade ajuda a colocar tudo no seu devido lugar.
Paz e Bem !







