Ensaio de Catarina Rochamonte aborda o ataque ao legado ocidental e a resistência de Israel

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Catarina Rochamonte é graduada em Filosofia pela UECE, Mestre em Filosofia pela UFRN e Doutora em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos (Ufscar).

Guerra cultural e defesa do Ocidente
Por Catarina Rochamonte

No seu discurso no Parlamento Alemão, em 2011, Bento XVI se propõe a tecer algumas considerações sobre o Fundamento do Estado liberal de direito. Na sua excelsa explanação, o então papa nos explica que “ao contrário doutras grandes religiões, o cristianismo nunca impôs ao Estado e à sociedade um direito revelado, nunca impôs um ordenamento jurídico derivado duma revelação. Mas apelou para a natureza e a razão como verdadeiras fontes do direito.” A cultura jurídica ocidental surge, explica o papa, de uma confluência entre o direito social natural desenvolvido pelos filósofos estoicos, os mestres do direito romano e os teólogos cristãos, abrindo caminho posteriormente na Idade Média, levando-nos ao desenvolvimento jurídico do iluminismo e à Declaração dos Direitos Humanos.
Apelando para a harmonia entre razão objectiva e subjectiva, apelando antes para a razão e a natureza na sua correlação do que para uma jurisdição revelada que caracterizaria um direito religioso, o cristianismo fomentou o desenvolvimento do próprio direito e o progresso da humanidade. Isso se deu, entretanto, sob a perspectiva da aceitação de um conceito não positivista de natureza, de razão e de fundamento para a formação do direito. Precisaríamos, então, recuperar algo disso a fim de bem cumprir a tarefa fundamental do político que é “servir o direito e combater o domínio da injustiça.”
Parece, no entanto, que já escorregamos na irracionalidade e perdemos a capacidade de compreender a natureza “na sua verdadeira profundidade, nas suas exigências e com as suas indicações.” Lendo esse trecho do discurso de Joseph Ratzinger, recordamo-nos do embate travado por Platão contra os sofistas a fim de elevar a compreensão da natureza e consequentemente a compreensão do humano. O ser humano, quando pensado a partir de critérios meramente sociais e subjetivos, reduz seu dinamismo moral e se coloca sob a autoridade de uma lei que se faz lei pela força ou pela persuasão; ao contrário, a fundamentação da concepção de humano em uma realidade mais ampla torna possível medir a ação a partir de critérios mais elevados que os meramente sociais e subjetivos, critérios que são objetivos e racionais, embora possam ser alcançados por intermédio da própria consciência.
Quando Platão eleva o humanismo clássico para além da fórmula lapidar de Protágoras segundo a qual o homem é a medida de todas as coisas, fundamenta-se uma nova ordem teológica que, não obstante o seu caráter religioso, poderá reger humanamente as condutas por meio da interpenetração entre o anseio de justiça e as leis humanas. Sem esse anseio, sem essa tensão em direção ao alto, em direção a algo maior do que o homem, a algo que o chame no sentido de um dever não há jurisdição legítima, há apenas justificação legal daquilo que apetece ao homem ou que lhe convém.
Qual a relação dessas reflexões com os dias atuais e, mais precisamente, com a política atual? Ora, parece-nos que naquilo que se chama guerra cultural digladiam-se, de um lado, aqueles que querem moldar a realidade por meio da linguagem e subjugar a natureza à sua própria vontade e, de outro, aqueles que creem em uma razão objetiva que se manifesta na natureza e pressupõe uma razão criadora. Isso fica muito claro se olharmos o modo de atuação política da esquerda atual, muito mais pautada na sexualidade do que em qualquer outra coisa.
Após Marcuse e outros teóricos da libertinagem, acreditou-se que seria possível o advento de uma nova sociedade por meio da revolução sexual, embora a própria revolução sexual só tenha sido possível pela existência da sociedade democrática livre que as ideias socialistas visam a destruir. Centrando esforços na construção de um discurso afirmativo e glorificante em relação a todo e qualquer desvio da sexualidade normal, problematizando, inclusive, por meio da criação de neologismos, a existência de normalidade ou naturalidade, a esquerda progressista avança com suas pautas que explicitam não apenas a sua visão de mundo materialista e imanentista, mas, também, a sua revolta contra qualquer ordem naturalmente dada, contra qualquer dado da natureza. Tudo, afinal, seria construção social, tudo estaria sob poder e tutela do desejo humano.
Pouco fiel aos seus precursores cristãos (a Kierggaard, por exemplo), os existencialistas ateus como Sartre asseveraram que “a existência precede a essência”, ou seja, não há ordem preestabelecida só há ordem humanamente criada; não há valores eternos, só há valores social e culturalmente forjados; não há determinação, não há alma, não há natureza, só há indeterminação, náusea, desejo, escolha ou má-fé. A companheira de Sartre, por sua vez, insuflou toda a sua geração contra uma monogamia supostamente opressora com a seguinte frase: “”Entre nós, trata-se de um amor necessário: convém que conheçamos também amores contingentes.” Também é dela a frase que pode funcionar como pano de fundo teórico para o que hoje chamamos de ideologia de gênero: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”. Contra essa tendência à afirmação absoluta da liberdade humana levada a cabo pelo existencialismo ateu de Jean Paul Sartre e Simone Beaouvoir e que parece ponto pacífico entre esquerdistas e liberais progressistas citamos ainda o discurso do papa Bento XVI:
“Também o homem possui uma natureza, que deve respeitar e não pode manipular como lhe apetece. O homem não é apenas uma liberdade que se cria por si própria. O homem não se cria a si mesmo. Ele é espírito e vontade, mas é também natureza, e a sua vontade é justa quando respeita a natureza e a escuta e quando se aceita a si mesmo por aquilo que é e que não se criou por si mesmo. Assim mesmo, e só assim, é que se realiza a verdadeira liberdade humana.”
Em uma de suas aulas sobre guerra cultural, Olavo de Carvalho afirma que não há nenhuma política que coincida com a causa da liberdade humana (nem o liberalismo), pois qualquer iniciativa que se tenha no sentido da liberdade poderá ser reaproveitada e manipulada dentro de um grupo pela centralização do seu poder. Politizar tudo é uma espécie de escravidão e a politização da sexualidade é uma das grandes forças mantenedoras do servilismo ideológico na atualidade. Nessa mesma aula, o professor Olavo ensina que se a guerra cultural visa à dominação das consciências e das personalidades, então ela precisa primeiro ser vencida individualmente, ou seja, a primeira batalha da guerra cultural é travada pelo próprio indivíduo na posse de si mesmo, na tentativa de transcender, assimilando, a cultura dominante de seu próprio tempo.
Ao se tornar consciente das influências culturais que determinaram suas ideias, seu universo psíquico, seus julgamentos, ao compreender os condicionamentos do passado que pesam sobre a sua conduta, até mesmo sobre a sua vida interior, o indivíduo poderá, então, fazer do eu uma das forças plasmadoras da própria personalidade. Se nossas escolhas são baseadas em valores talvez precisemos saber algo sobre a origem desses valores. Qual a história dos nossos sentimentos morais? De onde vêm os tais valores tão defendidos pelos conservadores e tão atacados pelos progressistas? Será que essa é uma disputa nova ou remete a uma contenda clássica entre duas visões de mundo antagônicas?
Não foi uma vã digressão a nossa referência anterior a Platão e à Grécia Clássica, pois é lá que vemos a concepção naturalista, hedonista e reducionista do ser humano ser combatida e soberanamente superada por Sócrates, cuja originalidade foi justamente sugerir que não é por meio da expansão e da satisfação da sua natureza física que o homem pode encontrar a felicidade e a harmonia com o ser, mas pelo domínio de si próprio, pela conduta virtuosa que põe a ação humana em acordo com os valores eternos que o indivíduo descobre no conhecimento e no cultivo de si.
Sabemos ser o marxismo uma doutrina materialista que, como tal, não pode albergar a crença na alma imortal que era para Sócrates a fonte da conduta virtuosa e do conhecimento das ideias. Teorias cuja origem remete ao marxismo defendem que valores e verdades só são criadas por meio das relações de produção, dos discursos, da prática social ou da força, não havendo valor universal ou verdade eterna. A guerra cultural de hoje permanece sendo, pois, como na época de Platão, uma disputa entre duas concepções distintas a respeito de natureza humana, duas concepções antagônicas de felicidade, dois tipos de humanismo e, consequentemente, entre dois tipos de educação. Na obra “Paidéia, a formação do homem grego“, no capítulo no qual o helenista Werner Jaeger comenta o diálogo Górgias, podemos ler o seguinte:
Neste deslindar de duas concepções de mundo diametralmente opostas se enfrentam com nitidez os conceitos de poder e de paidéia.[…] estes conceitos representam para Platão duas concepções antagônicas de felicidade humana. Temos de optar entre a filosofia do poder e a filosofia da educação. […] A filosofia do poder é uma doutrina baseada na violência. Em toda parte, na natureza, na vida do homem, vê luta e opressão, e por isso considera sancionada a violência. O seu sentido e razão só se pode estribar na obtenção do máximo poder que seja alcançável. A filosofia da educação, ao contrário, aponta ao homem outro objetivo: o da kalokaghatia.
Ora, não é esse o embate atual entre a mentalidade revolucionária e a mentalidade conservadora? Não são os marxistas ou os esquerdistas de modo geral os que em tudo vêm luta e opressão e que contra tal estado de coisas sanciona até mesmo a violência? Não é essa a visão de mundo que visa a submeter todo o processo educacional a uma dimensão política de engajamento? Não é entre as pessoas desse espectro político que a arte já está absurdamente distante do belo, tendo sido totalmente deturpada para cumprir sua suposta finalidade de transgressão libertadora? Não são os conservadores aqueles que querem resgatar tanto na educação quanto na arte o ideal do bem e do belo? Não é o próprio ideal moral do Ocidente em toda a sua grandeza e esplendor, com todas as suas conquistas antigas e modernas aquilo que convém a um conservador preservar? Não são as liberdades políticas e econômicas, assim como os Direitos Humanos, parte do legado dessa mesma história espiritual que tentamos defender contra a fúria irresponsável dos revolucionários ou contra o poder excessivo de organizações internacionais já perpassadas por ideologias que deturparam o real significado daquilo que precisa ser defendido?
Aos que consideram resultado de uma teoria da conspiração a resistência liberal-conservadora ao globalismo, eu perguntaria se estão confortáveis em submeter a legislação de seu país a uma estrutura burocrática poderosa como a ONU, que se atreve a comparar a continuidade de uma gestação à tortura e a asseverar o aborto como direito humano fundamental. Já não está explícita a  funesta deturpação dos chamados Direitos Humanos e a necessidade de, paradoxalmente, resistirmos – em nome do que nos resta de humanidade – àqueles que costumam florear com tal retórica o seu discurso?
A Organização das Nações Unidas, responsável hoje pelo papel de mantenedora da paz, tem colaborado em aspectos localizados para a pacificação global, mas no âmbito geral tem fomentado práticas adversas ao que deveria ser o seu objetivo maior. Como buscar efetivamente a paz mundial subjugando-se à tirania de povos altamente comprometidos e moralmente deficitários? Não haverá chance de paz ou pacificação global enquanto não se compreender que há sim nações e civilizações com estruturas morais, políticas e jurídicas superiores e que são elas que devem estar à frente da discussão sobre os Direitos Humanos ou sobre qualquer outro tema de interesse e relevância geral.
A forma ideológica e parcial com que se tem encarado a questão da participação de países de maioria muçulmana nas decisões mais relevantes da ONU apenas atrapalha e prejudica o processo de desenvolvimento e maturação dos órgãos internacionais. Estão sendo feitas concessões demais àqueles que querem nos destruir e esse é um dos problemas políticos mais importantes da atualidade. Por que dialogar e dar assento diretor ou cadeira cativa na ONU para países absolutamente retrógrados nos quesitos mais básicos de aplicação da justiça? Por que combater ferozmente instituições tão antigas como o são as leis gerais da democracia de Israel? Por que insistir em questionar sistematicamente as soberanias europeias e a potência norte-americana se são elas as atuais democracias que, com todos os seus defeitos, podem impulsionar a discussão internacional para algo mais próximo do bem comum?
Israel não é apenas a única democracia verdadeira do Oriente Médio, é também, junto com os Estados Unidos, uma nação verdadeiramente soberana que não se curvou ao arbítrio daqueles que almejam uma governança global. Como bem nos explica Flavio Gordon em seu excelente texto A Internacional Nacionalista contra o Globalismo: Uma Resposta a Demétrio Magnoli, a afirmação hoje do caráter soberano de uma nação não equivale ao nacionalismo de ontem no qual “tratava-se de celebrar a nação como um poder situado acima e para além do indivíduo.” O nacionalismo contemporâneo afirma-se, pelo contrário, “não contra o indivíduo, mas contra um projeto de centralização de poder em nível global.
Israel é um foco de resistência contra esse aparato burocrático e ideológico que a ONU e a União Europeia se tornaram; é uma resistência contra esse poder que julga aquilo que lhe é conveniente como algo moral, imbuindo seus burocratas e porta-vozes de autoridade para converter e convencer todas as nações de seu ponto de vista. Por meio de insidiosas tentativas de mudanças de valores e costumes, tenta-se fazer passar por bom aquilo que lhes é útil, mesmo que seja mau, mesmo que fira profundamente o sentimento moral de um povo. Não é fácil, por exemplo, fazer um país majoritariamente cristão como o Brasil acreditar que o aborto é um direito humano universal e que negá-lo pode equivaler à tortura. Convencer essa e a próxima geração de tamanho absurdo é uma das grandes tarefas nas quais a ONU tem se empenhado; além, é claro, de aprovar seguidas moções contra Israel.
Pois bem, estamos nos encaminhando para uma política externa que enxerga com clareza o que hoje significa a relação ONU, Israel e Estados Unidos e, principalmente, que compreende para onde deve tender o Brasil nessa contenda. Após mais de uma década de vexames diplomáticos protagonizados pelos nossos últimos representantes – sempre alinhados com o que há de mais retrógrado e perverso no mundo da política, seja o socialismo, seja o fundamentalismo islâmico – eis que temos um presidente “amigo de Israel”, simpático aos Estados Unidos e fortemente propenso a endurecer o discurso contra as ditaduras latinas.
Atento às teorias antiglobalistas, o diplomata Ernesto Araújo – futuro ministro das Relações Exteriores – coloca-se abertamente como defensor da identidade espiritual do Ocidente, sem com isso desprezar essa ou aquela religião ou cultura. Mesmo assim, aos olhos do vulgo letrado, ele estaria ultrapassando aquilo que ainda se permite na política externa: tratar temas como se o quesito econômico fosse efetivamente o que mais importa. Apesar de brilhante, erudito e importante, o  texto de Ernesto Araújo, Trump e o Ocidente, publicado em 2017 nos Cadernos de Política Exterior, foi veiculado pela mídia em tom de deboche e descrédito.  No referido texto, Araújo alerta: “muita gente não sabe que o Ocidente está jogando, muito menos que está perdendo.” Como se estivesse prevendo as críticas acerbas de que ele próprio seria alvo após o anúncio da escolha de seu nome, o diplomata faz a seguinte análise da conjuntura política:
Tornou-se corrente desmerecer qualquer um que enxergue um Ocidente ameaçado, ou mesmo qualquer um que simplesmente tente definir o Ocidente por oposição a algo. […] Passou a ser politicamente incorreto e, portanto, inaceitável, nos círculos de boa conversação, falar de uma Civilização Ocidental […] só se pode falar de Civilização Ocidental se for para denegrir o seu passado ou para negar a sua existência ou relevância no presente.”
Em seguida, o novo chanceler defende que a perda da própria identidade ocidental, que o desaparecimento dos “laços de cultura, fé, tradição” é o verdadeiro perigo. O islamismo, por exemplo, só é uma ameaça porque encontra um “Ocidente espiritualmente fraco, alheio a si mesmo.” Será que essa análise do diplomata conservador está muito distante de uma análise liberal? Vejamos o que diz o ganhador do prêmio nobel e economista liberal Friedrich Hayek no seu livro O caminho da servidão:
Durante pelo menos 25 anos antes de o espectro do totalitarismo se tornar uma ameaça real, fomos nos afastando progressivamente das ideias básicas sobre as quais se erguera a civilização ocidental. […] Estamos rapidamente abandonando não só as idéias de Cobden e Bright, de Adam Smith e Hume ou mesmo de Locke e Milton, mas também uma das características mais importantes da civilização ocidental que evoluiu a partir dos fundamentos lançados pelo cristianismo e pelos gregos e romanos. Renunciamos progressivamente não só ao liberalismo dos séculos XVIII e XIX, mas ao individualismo essencial que herdamos de Erasmo e Montaigne, de Cícero e Tácito, de Péricles e Tucídides.”
Ou seja, um liberal da estirpe de Hayeck sabe perfeitamente que o individualismo e as conquistas da liberdade individual desenvolveram-se “a partir de elementos fornecidos pela filosofia da antiguidade clássica e pelo cristianismo, florescendo na Renascença e penetrando a chamada civilização ocidental.” Que sentido faria então, para um liberal, solapar a própria civilização que fomentou e que sustenta os princípios de liberdade? O diagnóstico de Hayeck é, no geral, bastante próximo ao diagnóstico de um conservador: o verdadeiro inimigo é aquele que, tendo perdido a consciência do significado e do alcance dos ideais do Ocidente, passa a criticá-los e a tentar destruí-los. O inimigo é a mentalidade revolucionária que, na tentativa de descartar para substituir e atuando sempre sob a ideia de ruptura, induz à crença de que apenas mediante uma completa reestruturação da sociedade haverá mais progresso.
Não é teoria da conspiração afirmar que o legado ocidental está sob ataque. Existe, de fato, não apenas uma guerra ideológica, mas uma guerra cultural; uma guerra complexa cuja batalha não é travada apenas no terreno da disputa de ideias, no nível do que pode ser racionalmente organizado e discutido. É também uma batalha travada em meio a símbolos, sentimentos, valores, linguagens e desejos. Quais são os nossos símbolos? Quais são nossos valores? O que defendemos? Contra quem lutamos? Que epopeia espiritual é essa na qual estamos imersos como ocidentais?
De maneira um tanto mística e poética poderíamos dizer que um pensamento absoluto ultrapassa a história e nela se insere: a ideia central de um Deus cujo nome é amor. O Deus único de Aristóteles, o Bem supremo de Platão, o Deus amor dos cristãos. Deus único, Deus de amor, Deus de Jesus; Deus que se fez ao alcance do homem e Deus que se fez ao alcance de uma humana definição; Deus que se fez presente e se deu a conhecer na história. Somos um povo no qual a maior proposta se lança e, entretanto, somos caminhantes de uma longa jornada. Negamos as fisionomias firmes dos deuses olímpicos, negamos a permanência entre nós de deuses em vias de menosprezar nossos padrões morais e enaltecemos através do povo judeu um único e só Deus a cuja glória nos dedicamos.
Somos depositários de sentenças morais e somos portadores de promessas. Produzimos uma civilização democrática centrada na promessa de fraternidade entre povos e nações. Contudo, o atual estado de recrudescimento deve-se a desvios de rota promovidos pelo próprio homem, cuja liberdade o dota de uma infinita possibilidade de erros. Temos, pois, uma missão frente a uma cultura carente de elo. Sabemos os rumos necessários à libertação do pensamento e por isso nos posicionamos hoje nos fronts propícios ao enfrentamento. Mas, voltemos ao discurso do papa Bento XVI para concluir com ele esse despretensioso ensaio e definir mais claramente o que, do ponto de vista político, julgamos ser hoje a nossa tarefa:
 A cultura da Europa nasceu do encontro entre Jerusalém, Atenas e Roma, do encontro entre a fé no Deus de Israel, a razão filosófica dos Gregos e o pensamento jurídico de Roma. Este tríplice encontro forma a identidade íntima da Europa. Na consciência da responsabilidade do homem diante de Deus e no reconhecimento da dignidade inviolável do homem, de cada homem, este encontro fixou critérios do direito, cuja defesa é nossa tarefa neste momento histórico.”
 

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