Acabar com as feiras do crime nos presídios tem efeito pacificador nas ruas

COMPARTILHE A NOTÍCIA

André Costa e Luis Mauro: a ação do segundo impacta no trabalho do primeiro no combate ao crime nas ruas.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br
Atentem para esse quadro: mais de 3.200 aparelhos celulares, centenas de TVs, ventiladores, fornecimento de drogas ilícitas, vendas de espaços privilegiados (como colchões e um lugar para dormir a R$ 5 mil)), comércio de alimentos e tudo o mais que for próprio das necessidades do consumo humano em uma espécie de feira no interior das penitenciárias com consequências fora das unidades.
A partir das declarações do policial Luis Mauro Albuquerque, secretário da Administração Penitenciária, era essa espécie de feira do crime que dominava as relações no interior dos presídios. Claro que tudo controlado por presos organizados em facções que, mandavam e desmandavam nas prisões e em todo o conjunto de internos, formando um poder paralelo ao do Estado.
É óbvio que, para garantir o funcionamento desse sistema comercial hierarquizado, é preciso um azeitado esquema de circulação de mercadorias de fora para dentro das penitenciárias. Tudo com a necessária permissividade ou a cumplicidade de agentes estatais. É óbvio também que esse sistema sobrevivia da multiplicação de crimes nas ruas, retirando à força dinheiro e mercadorias dos cidadãos em milhares de ações em cada mês que demandavam mais trabalho para o policiamento.
Os celulares, por exemplo, que entram nas penitenciárias não são comprados com CPF e nota fiscal. São frutos de assaltos e furtos nas ruas. Muitas vezes com uso de armas e atos de violência física. Latrocínios são outras consequências. O dinheiro para financiar as trocas comerciais também é fruto de crimes de todos os tipos cometidos contra cidadãos nas ruas.
Foi de tirar o chapéu a decisão do secretário de devolver as TVs (encontradas nas celas) para os familiares dos presos desde que as notas fiscais de compra dos aparelhos fossem apresentadas. Sabia ele que as, digamos, aquisições não haviam sido feitas no modelo legal.
Portanto, reestatizar as penitenciárias tirando-as das mãos das facções é um ato que ajuda, e muito, a diminuir a criminalidade nas ruas.
Os governantes acostumaram-se a afirmar que a o crescimento dos índices de homicídios e de outros crimes praticamente só se relacionavam com o tráfico de drogas. Em parte, não há dúvidas que sim, porém trata-se de um evidente exagero que, ao fim das contas, servia para empurrar a culpa para além das responsabilidades das autoridades públicas.
Leia Mais
+3.200 celulares encontrados com presos no Ceará
+Cada preso custa entre R$ 2 mil e R$ 2.500 por mês ao pagador de impostos
+Veja como o secretário fez para controlar pressão das mulheres de presidiários

 

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

The Economist diz que Brasil é o mais preparado para crise do petróleo; Um cearense construiu essa vantagem

No ataque ao PT, Girão abre frente contra a “direita fisiológica”

Inédito: Flávio vence Lula no 2º turno, aponta AtlasIntel

Lula lidera, mas sob desgaste e o centro deve definir 2026

A van está virando ônibus? União Progressista pende ao governismo e redesenha 2026 no Ceará

Enfim, intituições funcionam e põem fim ao “passaporte do barulho” em Fortaleza

Horas antes da prisão, Vorcaro enviou mensagem a Moraes, que respondeu no modo visualização única

Vorcaro teve prisão decretada em 2020, mas instituições falharam e a porta se abriu para os crimes em série

Apostas bilionárias e suspeitas antecipam ataque dos EUA ao Irã

Café da Serra de Baturité recebe selo nacional de Indicação de Procedência

Freio de arrumação no governismo do Ceará: ambições e a difícil engenharia da chapa de 2026

MP dos datacenters caduca e ameaça planos no Ceará, incluindo planos do projeto de R$ 200 bi no Pecém

MAIS LIDAS DO DIA

Cid fecha questão e banca Elmano: “não tem discussão, nem hesitação”

Terceira via: um fetiche irrealizável (?)