Uma nova política externa para o Brasil, por Igor de Lucena

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Igor Macedo de Lucena é economista e empresário; Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor Wyden; Fellow Associate of the Chatham House – the Royal Institute of International Affairs; Membre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales

O Brasil precisa parar de procurar um alinhamento internacional junto a países de viés ideológico, seja de esquerda ou de direita, para definir os rumos de sua política externa.

Nunca houve uma visão prática e efetivamente eficaz de uma política externa brasileira voltada para a economia de mercado. O Brasil precisa avançar em um passo fundamental: fazer negócios. 
Para tal, não basta realizar políticas de visitas aos chefes de Estados ou discursos ressaltando um ou outro investimento pontual. Políticas comerciais de verdade envolvem empresários e o governo em uma relação conjunta, republicana e estratégica com um único objetivo, vender produtos e ampliar investimentos brasileiros.
Essa visão é muito clara para países como o Reino Unido ou os Estados Unidos. Nestas nações suas embaixadas são uma espécie de entreposto comercial moderno e seus embaixadores tem a missão de prover empresários nacionais com informações sobre as condições políticas e econômicas daquele país e promover o investimento e a exportação de produtos.
Essas duas nações têm visões de mundo bastante liberais e procuram defender princípios como liberdades democráticas e igualdade entre as pessoas, mas isso não impede que nações como Arábia Saudita ou Qatar sejam grandes parceiros.
Para desenvolver as empresas nacionais, para trazer mais recursos para dentro do país e para melhorar o nível de emprego, não há ideologia, existe apenas o pragmatismo, o money talks. Pode parecer duro, mas funciona em um mundo onde cada país procura cuidar da sua política externa, não a dos outros.
A mentalidade corporativa é essencial para essa política liberal, pois o sentimento nacional é que grandes empresas nacionais ao redor do mundo geram riquezas não apenas para seus acionistas, mas também para a nação e isso faz com que todos ganhem. O conceito mais básico do liberalismo econômico, do lucro, é visto como positivo para todos. Cada vez mais produtos e serviços nacionais estão espalhados no mundo.
Aqui no Brasil infelizmente falar em colaboração de embaixadores com empresários é imediatamente atrelado como sinônimo de corrupção, falar em lucro do empresário é tabu ou é visto como um pecado para a sociedade. Se o Brasil e o brasileiro não encararem como o liberalismo econômico funciona, estaremos presos para sempre dentro de limitações impostas a nós mesmos pela ignorância e pelo preconceito.
No novo mundo da geoeconomia, na disputa econômica internacional, Estados e inciativa privada se juntam em estratégias win-win para ganhar lucros, impostos e mercados internacionais. Ou nos reagrupamos para disputar esse jogo ou seremos engolidos pelos atuais jogadores.
Igor Macedo de Lucena

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