Por Frederico Cortez
cortez@focuspoder.com.br
O tenebroso incêndio que se abateu sobre a catedral francesa Notre-Dame e o flagelo que derreteu o Museu Nacional do País transparece convergência e divergência, em seus próprios pontos. Um afeito à religiosidade e outro à preservação da história brasileira.
Uma onda de sentimento sofrível formou-se por todo o planeta em torno de Notre-Dame. Assim como noticiou o Focus (AQUI), a catedral de estilo gótico foi palco de inúmeros fatos históricos-políticos ao longo de seus quase nove séculos de vida. Não tão distante, do ponto de vista ocular da história e política, o Museu Nacional também tem sua relevante e destacada participação para o Brasil.

Nessa linha testemunhal, esses dois equipamentos são pares, na verdade são juízes de tudo o que já aconteceu de importante em suas nações. No entanto, essa via de mão única transforma-se em pista de caminhos opostos quanto à preocupação da restauração de suas estruturas e itens destruídos pelas chamas.
Enquanto Notre-Dame é capaz de formar gratuitamente uma força de coalizão em busca de sua restruturação, a tragédia do Museu Nacional trouxe à tona que a sua administração de hegemonia esquerdista era temerária e dependente em grande parte da verba pública, repassada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ou outros órgãos públicos. Ademais, o contingenciamento financeiro imposto por seus agentes financeiros e a falta de uma prestação de contas transparente dos seus gastos eram outros limitadores de uma maior atenção à esse equipamento histórico.
Essa união em prol da reconstrução de Notre-Dame, vem a demonstrar e provar que a preservação da cultura é algo tão precioso como o ar que respiramos. Inobstante à natureza díspares dos fatídicos casos, inegável é a distância cultural entre as duas tragédias. Na França, um fundo milionário e de voluntários está sendo formado para o início das obras de recuperação da Catedral francesa (AQUI). Já em nossas cercanias, até o momento o que se sabe é que a doação não ultrapassou a casa de R$ 2 milhões de reais e uma inércia ainda continua pairando sobre o Museu Nacional. Até quando?

Quanto às críticas por falta de doação de brasileiros ricos para a restauração do prédio em nosso solo, há que se aquilatar o fator de descrédito que orbita sobre os administradores do Museu Nacional. Lembrem-se que não é de hoje que profissionais, público e pesquisadores vinham alertando acerca da sua debilidade física estrutural. Sei que não é momento procurar culpados, mas as responsabilidades sobre tamanha omissão têm que ser apuradas e não podem virar cinzas. Ao contrário de Notre-Dame, a destruição no nosso museu foi de 90% de um acervo com 20 milhões de peças.
A saída? Bem, que tal pegarmos o ensinamento da Fênix, um pássaro da mitologia grega que após sua morte, entrava em autocombustão e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas. É hora de remontar o nosso quebra-cabeça histórico!
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