Uma boa dose de bom senso e realismo na administração pública, por Antônio Albuquerque

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Antônio de Albuquerque Sousa Filho é engenheiro  agrônomo e foi reitor da Universidade Federal do Ceará – UFC (Período 1991 a 1995).

TEMPO PARA EXECUTAR

O administrador público, quer no nível municipal, estadual ou federal, ao assumir suas funções deve levar em conta que terá alguns fatores delimitando suas ações administrativas, entre eles o período de tempo de sua gestão, a escassez de recursos financeiros, as adversidades surgidas pelos fenômenos da natureza (secas, chuvas intensas, enchentes), falhas de auxiliares, campanha abusiva dos meios de comunicação e de membros da oposição, entre outros.
Daí alguns cuidados como escolher auxiliares competentes e proativos, elaborar projetos viáveis em termos de execução para o período da administração, conseguir, através de diferentes fontes, os recursos financeiros necessários, manter diálogos com os meios de comunicação, formar uma base política suficiente para aprovar seus planos,  dialogar com a comunidade e, se possível, até mesmo com a oposição.
No que diz respeito a elaboração do plano de trabalho,  é imprescindível estabelecer prioridades, não apresentar planos os mais adversos e múltiplos possíveis. Lembro-me de um dos governos do Estado do Ceará que elaborou um plano de desenvolvimento estadual baseado em vários estudos, confeccionado por equipe capaz, mas ambicioso demais (o documento tinha mais de 500 páginas) e dele pouco foi realizado. Elaborar documentos extensos com muitas tabelas, terminologia técnica complexa, impressão refinada, em papel de altíssima qualidade e fotografias artísticas, querendo impressionar, pode proporcionar poucos resultados concretos.
Todo plano de desenvolvimento socioeconômico público deve ter, no máximo, cinco diretrizes básicas e cinco secundárias, com metas viáveis e recursos financeiros assegurados, cronograma de acompanhamento e avaliação, com os necessários ajustes ao longo do processo de execução.
Administração pública requer criatividade, fiscalização constante, bom senso e principalmente realismo.    

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