
Jair Bolsonaro tem em comum com Fernando Collor e Dilma Rousseff o temperamento difícil, um certo pendor solitário, de pouco apreço pelo diálogo. Cuide ele para que as semelhanças se encerrem aí. O presidencialismo de coalizão exige moderação. José Sarney, Fernando Henrique e Lula da Silva, aqueles que conseguiram alcançar a linha de chegada na maratona do mandato, são emblemáticos.
Aliás, ele deveria ler os registros que FHC escreveu durante o exercício do cargo, um inventário da sóbria degustação de sapos de todos os tamanhos, a arte de fazer o que pretendia dando a todos a impressão de que mandava pouco. Tancredo Neves: “um presidente tem que dar as cartas e não embaraçá-las”. Bolsonaro já definiu seus adversários. Mas ainda não escalou com clareza seus aliados.
Com pouco tempo de governo, são muitos os que pularam ou caíram do barco: do núcleo de campanha, Paulo Marinho e Gustavo Bebianno; dos movimentos sociais, o MBL; dos bem votados, Janaína Paschoal e Alexandre Frota. No âmbito interno não é diferente: já demitiu general de prestígio (Santos Cruz) e mandou outro para o freezer (Augusto Heleno). Tem o caso do vice (um excluído raiz) e, agora, desidrata seu mais acreditado avalista, Sérgio Moro.
O isolamento de efeitos mais agudos seria o divórcio com parcelas de seu próprio eleitorado, gente que o identificava com a moralização das instituições públicas e agora vê em suas manobras uma série de sinais reversos: quer colocar o filho caçula (a meritocracia manda lembranças) na principal embaixada do país, enquanto o primogênito se movimenta para abortar uma CPI sobre membros do STF, e indicou para a PGR um crítico das operações do Ministério Público, como a Lava Jato.
São muitas pedras espalhadas para um presidente que está apenas no início de seu mandato, herdou uma economia estagnada, com elevados índices de desemprego, e não construiu uma base homogênea e estável no congresso nacional. O presidente tem conseguido avançar em questões relevantes de sua plataforma, com em Segurança Pública, e fez poucas concessões fisiológicas, mas precisa dialogar mais com os atores políticos: trata-se de construir lealdades para os momentos difíceis.







