Eu, eu mesmo, o doutor, e a cloroquina. Por Luís Sérgio Santos

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“O inferno são os outros.”
Jean-Paul Sartre

Contraí o vírus do Covid-19. Na terça-feira, dia 7 de abril de 2020 apareceram os primeiros sintomas: tosse, garganta ardendo, perda do paladar, dores no corpo, desconforto, stress, apatia, fadiga. Parece que você foi desligado da maioria dos sentidos. Era o segundo caso no mesmo ambiente, minha residência. Já vinha acompanhando, pela imprensa, o protocolo de um grupo de professores da Universidade Federal do Ceará, dentre os quais o professor-doutor Anastácio de Queiroz Souza. Eles são arautos na defesa do enfrentamento da doença Covid-19 logo nos primeiros dias e não esperar que ela venha a se agravar para poder tratá-la como defendem muitos “gestores” públicos baseados em algum especialista do além.

Com o agravamento dos sintomas, felizmente, na quinta-feira, 9, passei a ser atendido pelo centrado e parcimonioso Dr. Anastácio que iniciou um diagnóstico e pediu exames eletrocardiograma e hemograma para informá-lo sobre as minhas condições físicas para receber as drogas do seu protocolo médico. Ele já estava atendendo Isabela, que fez a ponte para mim. Ambos, vivíamos o mesmo dilema sob o mesmo teto, compartilhado com mais duas meninas às vésperas dos 14 anos. Embora que em ambientes diferentes sabíamos que o vírus só precisa de correntes aéreas para se transportar.
Na sexta-feira, 10, iniciei uma medicação receitada pelo Dr. Anastácio: a) Cloroquina (Reuquinal 400mg) e; b) o antibiótico Azitromicina 500MG, mais vitamina “D”. A administração da droga Azitromicina se encerrou dia 14, a Cloroquina continuou até a segunda-feira, dia 20 de abril.

Nos primeiros dias, insônia, desconforto, diarreia, perda do apetite, fadiga. A fadiga continuou até o dia 19 — havia uma dispersão cerebral, dificuldade de foco na leitura ou mesmo vendo um filme. Os dias se sucederam como tic-tac de um relógio, sem emoção, sem sabor… apenas uma espera. No meu caso, o efeito colateral da cloroquina foi somente a diarreia. Não teve nada cardíaco, como li em alguns lugares. Fiz outro exame de sangue no dia 17 e doutor Anastácio ficou feliz com o que viu. A recuperação plena está a caminho com a volta total do paladar. As meninas certamente foram assintomáticas ao vírus.

Hoje, posso afirmar que com o tratamento logo no início o vírus não evoluiu. É melhor não deixar esse vírus evoluir e pagar para ver o que acontece. Muitas pessoa morreram por conta desse recomendação feita por gestores públicos.
Dia 20 o tratamento encerrou, o apetite está voltando, e acredito que nas próximas horas o paladar estará 100% Devo essa cura ao Dr. Anastácio e ao seu protocolo médico. Continuo, como todos, em quarentena. e torço para que os anticorpos do coronavírus sejam fato duradouro, até a vacina.

*
A nova ordem global — qual? — fundada pelo advento do Coronavírus é a realidade dando um choque na condição humana única e vulnerável, reduzindo a um denominador comum os diferentes mundos que habitam o mesmo planeta. O filme de ficção ‘Bird Box’, como metáfora, se realiza. Um vírus, resultado de uma mutação genética em morcegos que viram alimento na China se multiplica no corpo humano de uma maneira exponencial. Mutações genéticas são buracos negros, de um lado, e lapsos no DNA, de outro. O que recorre deles são desafios para a pesquisa genética. Malformações, de um lado, e doenças inéditas, de outro.

A doença, anunciada tardiamente como pandemia pela OMS, é o novo flagelo global. Ela virou álibi para políticos e para políticas reativas onde responsabilidades se anulam acusando o outro.

Essa pandemia globalizou-se rapidamente através de aeroportos. Veio se espraiando em um efeito dominó, levando céticos ao túmulo e incrédulos, como o primeiro ministro da Inglaterra, à UTI, até tirá-lo de cena. E criando polêmicas sobre terapias que poderiam curar a doença em sua fase inicial.

Em Fortaleza, o Coronavírus chegou pelo HUB aéreo internacional e logo passou a ser disseminado localmente. Depois de iniciada a transmissão comunitária o aeroporto foi fechado em um atestado da incrível visão estratégica dos gestores. Estabeleceu-se uma enorme babel, conflitos de opinião sobre algo desconhecido, “especialistas”, políticos populistas e demagogos, déspotas esclarecidos, ineptos candidatos a impossíveis estados de exceção. Contratações com “dispensa de licitação” são o melhor dos cenários para potenciais corruptos, como futuramente veremos.

No Brasil, o vírus saiu da esfera da ciência e virou falseta política.

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